segunda-feira, 30 de março de 2009

O "CASTELO" DE LEÇA


“Castelo” de Nossa Senhora das Neves – um exemplo, com as suas originalidades, da defesa da linha costeira do Norte de Portugal

1. Introdução

Largo do Castelo. Rampa do Castelo. Viela do Castelo. A toponímia local consagra o forte de Nossa Senhora das Neves, em Leça da Palmeira, como estrutura castelar. Quando os locais falam nele, falam sempre no “Castelo de Leça”, embora em rigor se esteja apenas perante um dos fortes edificados no século XVII com o objectivo de defender a costa portuguesa dos ataques de piratas vindos do Mediterrâneo ou da costa africana, de corsários provenientes da Biscaia e de outras paragens do resto da Europa ou da permanente ameaça castelhana.
O forte de Nossa Senhora das Neves é a grande marca do centro histórico da freguesia matosinhense de Leça da Palmeira e assistiu às transformações urbanas geradas à sua volta, muito embora ainda se mantenha, por ali, um cheirinho de uma Leça da Palmeira antiga. Não visível apenas na patine das muralhas da fortaleza, mas também em algumas habitações e nas estreitas ruelas que dali partem ou ali chegam. Bares como o “Costa do Castelo” e restaurantes com os sugestivos nomes de “Arquinho do Castelo”, “Degrau do Castelo” ou “A Flor do Castelo” apenas ajudam a confirmar que à volta da fortaleza se criou toda uma iconografia e se formatou uma memória colectiva.
O trabalho feito por Mário Barroca é, sem dúvida, o mais completo alguma vez elaborado sobre o Forte de Nossa Senhora das Neves e deixa pouquíssima margem para um desafio minimanente à sua altura. Não é este o objectivo deste trabalho, que obviamente se suporta, também, nas páginas dedicadas a esta fortaleza no livro “As Fortificações do Litoral Portuense”, e se mais não acontecer que pelo menos este esforço sirva para o seu autor ficar a perceber melhor “o castelo” junto ao qual brincou nos seus primeiros dez anos e junto ao qual perdeu dias interrogando-se, olhando para a bacia do Porto de Leixões, sobre o porquê de barcos de grande tonelagem flutuarem suavemente sobre as águas oleosas com a facilidade de uma gaivota cansada de bicar taínhas.
Como refere Mário Barroca, o ataque corsário ao Funchal em 1566 deu origem a toda uma política nacional de construção de fortes junto ao litoral, com ignição antes do período da Restauração, ainda durante a fase filipina. Bertrand de Montluc, o francês que comandou a tropa fandanga que assaltou o Funchal, foi, por isso, responsável não apenas por uma onda de destruição mas também se associou, indirectamente, a um movimento de construção. O aviso que deixou ao arrasar o Funchal (onde, em 1528, um navio biscaino roubou dois navios ancorados no respectivo porto) à frente de uma armada de onze galeões e comandando 1300 homens foi suficientemente...forte. Nenhuma outra cidade ou vila portuguesa do litoral quis, a partir desse momento, sequer sonhar com a possibilidade de viver 16 dias de terror, na lembrança também de que a investida corsária na Madeira lhe destruiu as reservas de açúcar e culminou com a morte de três centenas de pessoas, deixando no seu rasto famílias arruinadas. Contas feitas ao saque, terá rendido um milhão de cruzados.
A unir o episódio madeirense e o forte de Nossa Senhora das Neves há ainda um nome de uma figura grada da História de Portugal – João Gonçalves Zarco, um dos descobridores da Madeira, provavelmente natural de Leça da Palmeira (ou Tomar). Que hoje empresta o seu nome a uma das escolas secundárias de Matosinhos, a uma rua de Leça da Palmeira rasgada pela Via Rápida e a uma avenida de Matosinhos que rasga a malha citadina sob o eixo terra-mar. Pelo menos.
Esta rede de pequenos fortes marítimos, construída durante o período da Restauração tendo como “leit motiv” a ameaça espanhola, estendeu-se da foz do Douro à foz do Minho, sendo conhecidas fortificações deste tipo em Caminha, Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção – relativas a um primeiro movimento construtivo – e também em Lovelhe, Ínsua, Vila do Conde e Póvoa de Varzim. No foz do Lima, por exemplo, ergeu-se a chamada Torre da Roqueta, de que nos dá nota Carlos Alberto Ferreira de Almeida (em “Alto Minho”, 1987), uma estrutura que defendia a foz desse rio, mandada construir no reinado de D. Sebastião e melhorada por Filipe I, que a transformou em fortaleza. Num período posterior, recebeu transformações abaluartadas (1652) e revelins (1700). É um caso que tem com o forte de Nossa Senhora das Neves apenas pontos de contactos, mas que dele diverge claramente como estrutura progressivamente evoluída, enquanto o forte de Leça da Palmeira foi de raiz aquilo que ainda é hoje em termos arquitectónicos e de capacidade militar.


2. Porquê Nossa Senhora das Neves?

Raros são os leceiros que conhecem o seu castelo pelo seu nome de sempre: Nossa Senhora das Neves. No entanto, quase todos os portuenses sabem que o “castelo” que remata junto ao mar a longuíssima Avenida da Boavista é “do Queijo”, embora também poucos se lembrem que antes do queijo está o nome de Francisco Xavier. Perdoa-se o esquecimento tendo em conta o apelido desta fortaleza...
Tal como outras fortalezas, também esta foi baptizada com um nome santo. Nunca fiando totalmente no poder defensivo dos silhares de granito e no poder de fogo das bombardas, a associação de um nome divino pelo menos dava algum conforto espiritual e, quiçá, “reforçava” as muralhas e aumentava a capacidade destrutiva das armas pirobalísticas...
Não encontrámos qualquer registo que explique a escolha da Senhora das Neves para madrinha do forte construído na foz do Rio Leça. Há, porém, uma referência muito interessante na monografia monumental de Matosinhos de Guilherme Felgueiras – editada em Maio de 1958, sob o patrocínio de Fernando Aroso, o então presidente da Câmara Municipal de Matosinhos – que pode, embora apenas em jeito de hipótese académica, ser a chave para este baptismo divinal.
O facto não se reporta a qualquer actividade bélica, mas apenas ao universo religioso da época. Diz respeito à imagem quatrocentista de Nossa Senhora da Conceição (padroeira de Portugal), imagem principal da actual igreja paroquial de Leça da Palmeira, para onde foi transportada depois de ter residido inicialmente no extinto Convento da Conceição de Matosinhos. Oferta
de D. Afonso V ao convento, a imagem é obra de Diogo Pires, “O Velho”, e desceu o Mondego de barco e na sua foz foi embarcada rumo à foz do Leça a bordo da nau...Nossa Senhora das Neves. Onde foi recebida “com muita variedade de bandeiras e flâmulas” e “com roqueiras e música”.
Coincidência ou não, entre Maio de 1483, quando a imagem foi entronizada, e o início da construção do forte de Leça da Palmeira – 1651 – correram quase dois séculos. Não podendo ser o Forte da Conceição, porque não escolher a santa que lhe serviu de transporte? Fica a curiosidade. Apenas e só.
Quanto à Nossa Senhora das Neves que deu nome ao forte a quem chamam castelo, é apenas mais uma nossa senhora do universo mariano, reportando-se a um milagre anunciado pela Virgem Maria em pleno Verão. Que terá garantido que nevaria em Roma em plena estação estival, o que aconteceu, no local onde hoje se ergue a basília de Santa Maria Maior, na capital italiana, um fenómeno de arrefecimento global capaz de estragar qualquer teoria elaborada por Al Gore.

3. Ladrões e piratas

A costa atlântica portuguesa não conheceu a pressão que a costa espanhola levantina viveu neste período e que aí levou a que fosse construída uma rede de torres defensivas e fortins que nem por isso revelou resultados dissuasores, como está bem documentado no trabalho de José Luíz Menendez Cuey, “La red de torres para la defensa del litoral costero em la provincia de Alicante”.
No caso concreto da costa de Matosinhos, “em questão de tranquilidade nunca foi feliz” devido “aos ataques de corsários que se prolongaram pelo século XVIII”, conforme regista Maria do Carmo Serén, no volume 5 da Monografia do Concelho de Matosinhos. A mesma autora defende que, então, a defesa do litoral português estava confiada a um corpo de 20 mil homens a pé e 4000 a cavalo, divididos por dez companhias. Sendo a guarnição dos fortes constituída por ordenanças “sorteados” para “os fortes do Castelo do Queijo, de Nossa Senhora das Neves e do inacabado fortim de Leixões”. Sobre este, hipoteticamente colocado na margem Sul da foz do rio Leça, e também referido por Guilherme Felgueiras na sua monografia, não existem provas físicas e as documentais são pouco convincentes. Tal como não resulta dos registos que a costa matosinhense tenha sido fustigada violentamente por ataques de corsários neste período.
A verdade é que existia também uma rede de vigilância. Diversos “fachos” acompanhavam a linha costeira. Estas casas de perpeando, com postigo voltado para o mar e uma caldeira elevada para avisos através de fumos, foram registadas no Corpo Santo (o ponto mais alto de S. Miguel de Leça da Palmeira), na Senhora da Boa Nova, no Senhor da Areia (Matosinhos), no Carrapato (Cabo do Mundo), na Agudela (Lavra) e no Forcado (Angeiras). Até Azurara registam-se mais três postos de vigilância. Cada um desses postos estavam ocupados em regra por um tenente, um facheiro e dois cabos.
Também no sul de Portugal há registos precisos sobre esta rede de vigilância costeira, de que é exemplo o sistema encontrado à volta de Faro. O acesso marítimo à antiga Osssónoba faz-se através da ria Formosa, estando a “barra” pontuada por diversas torres “que pretendiam manter um sistema de vigilância funcional”, à imagem e semelhança “de todas as atalaias medievais portuguesas e espanholas que se vão encontrando até ao século XVI”, como refere Teresa Júdice Gamito, num artigo publicado em “Mil Anos de Fortificações na Península Ibérica e no Magreb”.
O assédio dos piratas e corsários pode não ter conhecido a violência vivida noutras regiões costeiras peninsulares mas a presença de tantos pontos de vigia e de fortes e fortins do Douro até ao Minho revela que a ameaça de”bandidos” ingleses, holandeses, franceses, espanhóis ou turcos estava longe de ser apenas isso mesmo.
A conjuntura internacional ajuda a explicar este ambiente de grande instabilidade na orla marítima. A partir do século XVI, a disputa dos mares deixou de ser um monopólio partilhado tacitamente por Portugal e Espanha e os outros países europeus rapidamente mostraram que os tempos tinham mudado. Em Portugal continental apenas existiam, em meados do século XVI, três estruturas abaluartadas – em Lagos, Lisboa e Cascais – num momento em que as fortalezas portuguesas do Norte de África já se apresentavam adaptadas a um novo estilo defensivo e ofensivo, como eram os casos de Ceuta, Alcácer Seguer, Tânger e Arzila. Em 1567, Simão de Ruão partiu para o Norte, sob o impulso de D. Sebastião, para planificar a fortificação do Entre Douro e Minho. As grandes obras empreendidas no forte de S. João da Foz estavam concluídas em 1578. O forte de Nossa Senhora das Neves não tem a grandeza do seu vizinho da Foz mas é o precursor de uma série de fortificações de menores dimensões nem por isso desprezíveis, funcionando como apoio ao forte construído na barra do Douro, o grande porto da zona Norte portuguesa naquela época.
Sérgio Ferreira, in “O corso na segunda metade do século XVIII: reflexos de um cartório notarial portuense”, considera que são escassos os estudos sobre o corso em Portugal no período analisado mas faz o levantamento de 90 episódios de corso. Actividade que distingue da pirataria por ser uma actividade aventureira como a pirataria, todavia tutelada por um país e um soberano e “com normais de actuação muito restritas”. Existindo mesmo mercadores que se assumiam eles próprios como “semi-corsários”.
Da marinha de guerra portuguesa não se podia esperar muito pois debatia-se com “más condições logísticas” e os corsários navegavam com terra à vista, pouco se incomodando com a artilharia dos fortins da costa, que não os alcançava e apenas protegia os ancoradouros. Os corsários, ainda segundo Sérgio Ferreira, “quase faziam fila”, a 3/5 léguas da costa, “para partilhar os despojos das embarcações nacionais”, podendo abrigar-se rapidamente em Vigo, Pontevedra ou Ferrol. Usando como meio preferido de abordagem a abertura de fogo de intimidação.
Porque de piratas já aqui se falou, importa também referir outro tipo de ladrões para completar o quadro – os ladrões de terra firme. No caso específico de Matosinhos, a situação está bem retratada no antigo nome da praia onde desembarcaram as tropas de D. Pedro IV, já na primeira metade do século XIX.
Os liberais que desembarcaram perto do Porto ficaram conhecidos por “Bravos do Mindelo” mas a verdade é que a armada comandada por D. Pedro acabou por escolher como local de desembarque a “praia dos Ladrões”, hoje Praia da Memória, em Arnosa de Pampelido (entre as freguesias de Lavra e Perafita). E praia dos ladrões porque era o lugar “onde a população tinha ganho fama pilhando navios em perigo no mar” (Maria do Carmo Serén). População que, pelo visto, ignorou durante muito tempo a lei de Afonso II, promulgada nas Cortes de Coimbra de 1211, que acabou com o chamado “direito de naufrágio”, que permitia que os residentes se apropriassem de carga e tripulação estrangeiras ali naufragados. O que ajuda a perceber que a orla marítima foi sempre uma espécie de “zona de guerra”, onde obviamente imperava a lei marcial: valia tudo, não apenas no movimento mar-terra mas também nas acções terra-mar.

4. Conflitos sem consequências

O Forte de Nossa Senhora das Neves inaugura uma rede peculiar de pequenos fortes marítimos que, segundo Mário Barroca, “alcançaram um grande sucesso no quadro de uma nova estratégia defensiva”. No entanto, tem um histórico conhecido de folha quase limpa em relação à actividade para a qual foi concebido, a partir de 1651, em plena restauração, quando às ameaças de piratas e corsários se juntava o perigo espanhol. Quatro anos depois estava praticamente concluído.
Leça da Palmeira passou a ter, então, “um castelo chamado Nossa Senhora das Neves”, assim também descrito por Manuel da Cruz Ribeiro no “Dicionário Geográfico de Portugal” de 1758: “É quadrado, com um fosso, excepto para o mar, a que está junto”. Ali serviam nessa altura um tenente, um condestável, um sargento, um cabo de esquadra e oito artilheiros que dispunham de sete peças de artilharia, duas de bronze e as restantes de ferro.
A planta do forte foi desenhada por João Turriano e inclui dois meios-baluartes unidos por uma cortina rasgada ao centro pela porta de entrada, um fosso seco na zona voltada a terra, uma ponte levadiça, duas canhoeiras rasgadas no flanco dos meios-baluartes (o que permitia uma solução de fogo cruzado), três redentes na face voltada ao mar e guaritas nos quatro ângulos, concentrando quase toda a sua capacidade de tiro na face ocidental, onde existe um parapeito baixo que favorecia a orientação rápida e fácil das peças de artilharia (baterias a barbete), a que se acrescenta, num plano inferior, por uma plataforma mais baixa, de desenho trapezoidal, que alargava o campo de tiro. Como refere Mário Barroca, a grande originalidade do Forte de Nossa Senhora das Neves está, porém, na sua face menos activa, precisamente nos dois meios-baluartes que enquadram a porta de entrada, permitindo uma solução de fogo de protecção à zona da porta. Outros fortes iriam adoptar esta solução.
Numa visita o local, deu para verificar que a muralha norte é formado por uma camada de 19 silhares enquanto a sul apresenta a sobreposição de 18. A muralha onde se enquadra a entrada exibe também um desequilíbrio, com uma camada de 18 silhares numa das paredes e 19 na outra. A muralha ocidental – com 10 silhares no muro exterior e oito entre a zona da esplanada e o topo da muralha – apresenta também vária pedra solta na zona central do muro exterior, com a pedra apresentar-se escura, sugerindo que ali acorreu um incêndio. Nesta frente encontra-se ainda uma placa de mármore na qual se lê: “Para memória das gerações futuras ficam gravados nesta pedra os feitos gloriosos de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, dois portugueses que conquistaram para a humanidade novos caminhos do mar, unindo Portugal e Brasil num voo de perfeita ciência e coragem”, com data de 17 de Novembro de 1922. Ou seja, alguns meses após a grande proeza, sugerindo que os dois aviadores terão passado por Leça da Palmeira e provavelmente junto ao castelo foram homenageados, o que não conseguimos confirmar.
O fosso do castelo, que o rodeia em três faces (excepto a ocidente, onde o mar “morria” inicialmente na muralha), termina num muro alto a Sul e está fechado a Norte por uma grade de ferro. Particularidade deste forte é a existência de duas guaritas quase encavalitadas, na união das faces ocidentais e Sul, que reforçavam também a protecção junto ao muro que cobria o fosso e aumentava o poder de fogo dessas faces da fortaleza leceira. As quatro guaritas fixadas nos quatro vértices são todas hexagonais com algumas aberturas nos ângulos mas a guarita "excêntrica" é de planta quadrada.
Parece insofismável que o Forte de Nossa Senhora das Neves nunca se conseguiu assumir como uma fortificação de grande valor estratégico e são várias as referências ao longo do século XVIII e XIX em relação à necessidade de cuidar das suas peças de artilharia e do próprio estado deste forte “situado talvez no único ponto desta costa que oferece algum abrigo às embarcações acossados pela travessia” e “única paragem onde as equipagens podem ter esperanças de salvação quando seja inevitável encalhar”, conforme relatou Marco Franzini, em 1982, citado por Joel Cleto em “Porto de Leixões” (1998).
Na foz do rio Leça, um rio pequeno e de fraco caudal, sobressaía uma extensa penedia dominada pelas rochas a que o povo deu o nome de “Leixãos”, origem quase natural do porto artificial que aí iria nascer no final do século XIX e que acabaria de vez com qualquer veleidade de protagonismo do Forte de Nossa Senhora das Neves, que até o mar deixou de ter junto das suas muralhas, ficando “enclausurado” pelo molhe norte do futuro porto.
No “espólio” guerreiro deste forte, já se disse, não se registam grandes proezas. A maior delas talvez seja mesmo o facto de, durante a II Guerra Mundial, ali ter funcionado uma estação de telecomunicações, paredes-meias com a capitania que ali iniciou a sua actividade o dia 18 de Dezembro de 1895, onde ainda funciona, sob a égide da marinha portuguesa e com o pomposo rótulo de “estrutura militar”. O que pode ser verificado numa qualquer tentativa de um estudante que ali queira colher mais alguns elementos sobre a história do forte, rapidamente dando para se suspeitar que ali estará guardada, tantas as dificuldades colocadas ao acesso, o segredo da bomba atómica... Recorde-se que o forte se assumiu em definitivo como uma estrutura passiva quando no seu interior se instalou, em 1892, a Delegação Marítima de Leixões.
O forte encontra-se em bom estado de conservação e para além da capitania também nele está instalado a Polícia Marítima.
O papel desempenhado pelo Forte de Nossa Senhora das Neves durante a disputa fraticida entre D. Pedro e D. Miguel ilustra bem a “modorra” que caracterizou o seu tempo útil como forte (mas pouco). Carlos Pereira Calixto, no Boletim da Biblioteca Pública de Matosinhos de 1964, regista que em 1832 ali foram feitas benfeitorias, “aquando da guerra civil”, mas em 1840 “só as muralhas estavam em bom estado” e o forte estava ocupado “por uma guarnição de veteranos”.
O desembarque das tropas liberais não deu também oportunidade para o forte mostrar a sua capacidade bélica. As tropas do general Santa Maria retiraram rapidamente de Leça da Palmeira e os “invasores” apenas sentiram “alguns tiros na direcção de Leça”, tendo o coronel Schwalbach avançado sem problemas sobre esta localidade.
Iniciado o desembarque às 14.30 horas – D. Pedro só pisou terra firme às 18 horas –, às duas horas do dia seguinte já não havia qualquer resistência em Leça da Palmeira. E mesmo durante o cerco do Porto o Forte de Nossa Senhora das Neves não desempenhou qualquer papel relevante, embora tudo indique que D. Miguel tenha estado em Leça da Palmeira.
Há, naturalmente, aqui um hiato de um século para o qual não encontrei qualquer fonte documental que consiga transportar para o Forte de Nossa Senhora das Neves um episódio que nos possa fazê-lo imaginar a disparar os seus canhões e rebatendo qualquer tentativa de abordagem de corsários.
Mesmo durante as invasões franceses, apenas encontrámos uma referência ao forte relativa a 7 de Junho de 1808. Conforme refere Carlos Pereira Calixto, no Boletim da Biblioteca de Matosinhos de 1987, “o castelo de Matosinhos correspondeu à salva de saudação real lançada pelo castelo de S. João da Foz” que assinalou o fim da primeira invasão francesa.
O mesmo Carlos Pereira Calixto, na “Defesa Nacional” (n.º 117), citando Jorge Bento, refere: “A história destas fortificações marítimas não tem grandes feitos militares a assinalar; foram testemunhas mudas das invasões francesas". O mesmo autor salienta que a importância deste forte foi diminuindo com o desenvolvimento da arte da guerra “a ponto de, no ano de 1844, ser ordenado, pela rainha D. Maria II, em virtude da sua inutilidade militar, a entrega da fortificação ao Ministério da Fazendo, para nela ser instalada a Alfândega do Porto”. O que nunca aconteceu.
Para memória futura fica também a descrição de Calixto sobre o estado do forte em meados do século XIX: “Pelo lado do mar tem duas baterias, uma no pleno dos baluartes, a Alta, e a segunda, a Baixa, a meio da muralha. Ambas as baterias jogam à barla e são lajeadas, assim como todo o recinto magistral. A bateria Alta é composta por quatro lanços, formando, a meio, um redente. A bateria Baixa é formada por três lados – sendo o do meio paralelo à cortina da porta principal. Os seus parapeitos são de pedra e de três palmos de altura e largura.”

5. Uma velhice colorida

A originalidade do Forte de Nossa Senhora das Neves tem a ver também com o facto de ter sido precedido por um outro forte construído “a um tiro de mosquete”, um pouco mais a Sul, também na margem direita da foz do rio Leça.
O padre António Manuel Carvalho dá-nos conta, em 1706, da existência de dois fortes naquele local. Um primeiro que diz ser moderno e quadrado, “com plataforma para o rio e para o mar” e que “não estava acabado”. O segundo, que classifica de “mais antigo” (não é o caso) e “mais puxado para norte”, apresentava quatro peças de artilharia e a respectiva guarnição. Para além desta referência da “Corografia Portuguesa”, também as “Memórias Paroquiais” de 1758 confirmam a existência de duas estruturas fortificadas, construídas num hiato temporal de 13 anos. Sendo a primeira, rapidamente abandonada, a inaugurar, segundo Barroca, “o modelo das pequenas fortificações marítimas típicas da estratégia seiscentista de defesa da costa”. A segunda fortificação foi também pioneira para o norte do país, exibindo uma planta que foi modelo para outras estruturas do género.
Sobre o primeiro forte há notícias de que se encontrava demasiado afastado do plano de água – ao contrário do segundo, cujas muralhas ocidentais eram batidas pelo mar – e que essa foi uma das razões que levou a que se construísse um segundo forte. Tendo-se chegado mesmo a sugerir uma outra localização para este forte, assente nos penedos que tornavam a barra do rio Leça singular na sua qualidade de porto de abrigo natural. Sobre esses penedos encontra-se numa fase posterior um “facho” de sinalização que ainda hoje se pode apreciar na praia de Leça da Palmeira, para onde foi transplantado durante as obras de construção do Porto de Leixões. De sinalização luminosa ainda falando, importa salientar que, no início do século XX, foi construída sobre o redente central do forte uma torre hexagonal que serviu de posto semafórico, ajudando a controlar o movimento portuário. A torre não terá tido muita serventia pois desde o início do século XX que uma nova torre, ainda hoje existinte e construída fora das muralhas do forte, foi construída – a Torre do Marégrafo. A torre “a cavalo” do forte, no redente central, seria demolida no início dos anos 60 do século passado, quando também se fizeram importantes obras na zona envolvente do forte.
Na primeira metade do século XX, Leça da Palmeira era, segundo Jorge Bento (em “Leça Sempre”, 1998), “uma aldeola afidalgada, de ruas tortuosas, estreitas e mal macadamizadas” na qual o seu “castelo” se apresentava coberto de heras trepadoras na fachada e “florido de roseiras”, mais concretamente num “grande largo onde estadeava um vetusto castelo semi-tapado de perrexil e com um roseiral no fosso”. Surgindo, no lado sul da fortaleza, uma escada monumental em caracol em alegre convívio com a estrutura militar e permitindo o acesso entre os dois planos do jardim com vista para a bacia de Leixões. No final dessas escadas existia também um curioso mictório em estilo turco, camuflado por renques de ligustres, que após as obras seria transferido para o Largo Castelo, onde permaneceu até aos finais da década de 70 do século passado, exibindo um peculiar acesso em curva fechada.
A vida útil da fortaleza já tinha sido consumida quando a mesma para além de dar guarida aos serviços administrativos da capitania não era mais que um emblema colorido de S. Miguel de Leça da Palmeira. Muito graças também à acção do último dos seus governadores, António Pinto Leão da Silva, ele próprio cuidador da heras que cobriam a fachada oriental do forte da base das muralhas ao topo das guaritas, no final do século XIX.
Porque é uma questão que pode ajudar a resolver o “enigma” da localização do primeiro forte de Leça, Augusto Nobre, in “Leça da Palmeira: recordações de há 60 anos” (1945), dá-nos do Hotel Estefânia (que em imagens antigas exibia parte da muralha desse primeiro forte) uma localização precisa: “Está situada esta casa na rua Guilherme Gomes Fernandes, antiga rua da Panca”.
O hotel tinha, ainda segundo o irmão do poeta António Nobre, “uma sala de jantar espaçosa” e era frequentado “pela colónia inglesa e por banhistas portugueses”, estando integrado num parque arborizado. Era propriedade de Wenceslau de Lima, que ali viveu, e também passou pelas mãos de Joaquim Pacheco. Era seu gerente Romão Vilaverde, que depois, quando o “Estefânia” entrou em decadência, foi dirigir outro hotel “junto à barra do Leça”, também conhecido, segundo Augusto Nobre, por “Red-House”, “por ser pintado de vermelho”. Augusto Nobre não é claro na sua exposição pois fala também de outro hotel, o Central, situado no largo Ribeiro Seco (hoje Fonte Sêca), onde "os filhos do Romão vieram instalar-se, dando-lhe o nome do Hotel Estefânia".
Fica, assim, a dúvida: houve dois hotéis Estefânia, separados por escassos 200 metros, e qual deles aproveitou parte da muralha do primeiro castelo de Leça? O Largo da Fonte Seca confina hoje directamente com a avenida que bordeja o porto de Leixões por Norte enquanto a rua Guilherme Gomes Fernandes – um bravo bombeiro do século XIX – continua a ser desenhada um pouco mais para o interior do núcleo histórico de Leça da Palmeira.
Jorge Bento, prolixo autor leceiro, precisa que o fortim a que chama de S. Catarina estaria situado precisamente no local "do segundo Hotel Estefânia", ou seja, no actual Largo da Fonte Seca. Este autor refere mesmo que existiram em Leça da Palmeira, todos muitos próximos uns dos outros, três hóteis Estefânia! Perto deste “lugar onde” existe ainda a capela de S. Catarina, restaurada pela última vez nos anos 80 do século passado.
Sobre o último governador do castelo de que aqui já se falou, dá-nos também Augusto Nobre alguns pormenores deliciosos, confirmando-o como “um grande amador de flores, que cultivava no fosso do castelo”.
“Era neste castelo que nós bincávamos com os filhos do governador e com outros rapazes. O governador tinha dois filhos, o Cândido, o mais velho, era um exímio guitarrista, deliciando-nos com serenatas. Morreu há pouco anos, tendo atingido um posto militar elevado no exército; o outro era o Carlos, mais novo, mas não sei o destino que teve. Tinha também duas ou três filhas, uma delas casou com Aníbal Martins, do Porto, com fábrica de coroas artificiais na travessa do Correio, tendo sido um dedicado vulto do partido republicano e muito meu amigo.”
Ou seja, o poeta António Nobre não apenas cantou o “castelo de Leça” mas também brincou no seu interior e ali ouviu algumas serenatas à viola.
Fortalezas de Lippe! Ò fosso do Castelllo
Amortalhado de perrexil e trepadeiras!
Onde se enroscam como esposos os lagartos!
Senhor Governados a podar as rozeiras!
António Nobre

6. Conclusão

As imagens do Forte de Nossa Senhora das Neves, vulgo Castelo de Leça, suscitam a memória do tempo da refundação de Portugal, no século XVII, e mostram-nos uma estrutura militar defensiva bem desenhada e modelar. O seu valor estratégico parece ter sido indubitável durante os seus primeiros anos de vida, embora a sua actividade bélica tenha sido reduzida. A sua artilharia não terá disparado tanto como se pode imaginar – e o estado das peças foi, ao longo dos tempos, considerado decrépito – mas a sua funcionalidade é algo de bastante impressivo. O forte valeu sobretudo como acto arquitectónico de uma fase apenas explosiva, no que concerne a esta estutrura, na influência gerada e na substância artística deste pequeno mas sugestivo “Castelo” de Leça da Palmeira.


PS - Porque sei que alguns dos nossos clientes gostam destas coisas e acreditam que o futuro se senta sobre o passado, cá deixo um trabalho que fiz este ano para a disciplina de "Arqueologia Moderna", sob a direcção de Mário Barroca, que foi bastante generoso na forma como o avaliou.

TUDO COMO DANTES


"Há muito que escandalizava o rei [D.Pedro V] a forma como as eleições decorriam em Portugal. Toda a gente sabia, e ele também, que as eleições em Portugal eram fraudulentas, não no sentido de se pagarem votos com dinheiro, mas através da pressão que as autoridades administrativas exerciam sobre os eleitores. Os camponenses olhavam o acto eleitoral como uma ocasião para uma patuscada, não lhes ocorria que pudesse ser de outro modo. E à maioria dos políticos tão-pouco."


"D. Pedro V", de Maria Filomena Mónica


PS - Um século e meio depois, mudou alguma coisa?

OS FALSOS INDEPENDENTES

A s próximas eleições autárquicas vão ficar marcadas por uma vaga de candidatos contra os partidos em que fizeram "carreira". Há até quem defenda que este fenómeno representa o princípio do fim da partidocracia nas autarquias. Não deixa de ser curioso que os partidos que abriram a porta a candidaturas independentes às câmaras sejam agora as vítimas desta recente realidade.
À excepção do CDS/PP ou Bloco de Esquerda, cuja existência autárquica é residual, todas as restantes forças partidárias foram apanhadas nesta malha. A incapacidade que os partidos têm revelado para se renovarem, e as disputas intestinas pelos poderes internos têm contribuído para o nascimento dos falsos independentes. Isto é, tal como aconteceu com Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro ou Isaltino Morais, hoje Narciso Miranda em Matosinhos, Defensor Moura em Viana do Castelo, José António Silva em Leiria ou Manuel Coelho em Sines só admitem avançar como independentes porque PS, PSD e PCP os rejeitaram.
O mesmo aconteceu em 2005 com Helena Roseta, em Lisboa. O PS escolheu Manuel Maria Carrilho, e a arquitecta desfiliou-se do PS e fundou um movimento de cidadãos marginal ao sistema partidário. Tal como Manuel Alegre, Roseta defende que as candidaturas independentes às autarquias, devem representar o novo paradigma do sistema político português que deveria permitir o mesmo tipo de solução nas legislativas. Os verdadeiros independentes são bem vindos, mas os riscos evidentes: subverter a lógica da democracia de partidos é potenciar a vulgarização, por exemplo, das aprovações de orçamentos do tipo limiano.


editorial do DN

PS- Não deixa de ser uma perspectiva um bocado reaccionária mas, por outro lado, a tocar em pontos interessantes...

domingo, 29 de março de 2009

ENFIM, O FIM

O país não evoluí. Pois não.
Como podia?
Os "webmasters" nacionais estão em choque com a capa da "Playboy" portuguesa. Certamente estavam à espera de ver a Elsa Raposo a fazer o pino, desafiando a consistência do silicone.
Quanto ao "Freeport", é o que sabemos - não tarda nada e está definitivamente arrumado. Como outros processos conhecidos e alguns até desaparecidos.
Vale que temos aí o Isaltino a afirmar que tinha umas sobras de campanhas eleitorais numa conta da Suíça. E o Avelino a acusar da PJ de perseguição...
Sim, é o que temos.
Pode parecer pouco mas acaba por ser muito. Temos um "Levanta-te e Ri" permanente, em todos os canais nacionais e num tasco perto de nossa casa.
Um país sorumbático, anestesiado sob o peso de um milhão de funcionário públicos e mais uns tantos resignados.
Quando as coisas funcionam por inércia, resta-nos o sexo tântrico. Ou um prato de tremoços. Se quiserem, as duas coisas.
Esta desistência nacional não se esquece com ansiolíticos.

sexta-feira, 27 de março de 2009

PARA VER


O nosso Alberto Gonçalves também multimédia, com o precioso contributo do também matosinhense Hélder Cabral http://www.sabado.pt/Opiniao/Alberto-Goncalves/Philipe-Petit.aspx

O MITO DO METRO

O denominado Metro do Porto deu um prejuízo brutal no último ano, tão brutal que a minha memória RAM nem conseguiu fixar o número. Apesar de tudo, os autarcas da Região Metropolitana do Porto continuam a reclamar mais metros e quilómetros desse trôpego transporte que anda por aí a complicar o trânsito. Obviamente, quem criou esta monstruosidade desnecessária, e que podia muito bem ser substituído por uma boa rede dos STCP e até por uma maior eficácia da CP, não pode agora cascar num projecto ainda mais insolvente que a Quimonda e que nos próximos anos continuará a mamar dinheiros públicos. Não bastava o facto de ter ocupado o tabuleiro superior da ponte D. Luiz, proporcionando mais umas tantas empreitadas, este Metro que conhecemos nada tem a ver com o verdadeiro Metro que existe, por exemplo, em Lisboa.Esse, sim, um transporte rápido e eficaz, que não anda por aí a complicar o trânsito. Não bastasse tudo isto e verificamos todos que a rede deste aborto de Metro é má e vai ao sabor dos ventos, com cada um a puxar para o seu lado. Só assim se percebe que Leça da Palmeira, zona por excelência do Grande Porto, com um grande parque urbano, a Exponor e a Petrogal, tenha ficado de fora enquanto a Maia deixou de andar de cu tremido. A grande anedota acaba por ser o que fizeram da antiga linha da Póvoa, onde o Metro pelos vistos consegue ser mais lento que o comboio. Uma tristeza que apenas tem servido para alguns complementos de ordenados dos nossos autarcas e da qual já não há emenda. Como ele se move e anda por aí, temos mesmo que levar com o último assassino da outrora palpitante Brito Capelo, um meio de transporte lento e muito caro não apenas para o utente ocasional.

O CRONISTA

...ou o cicloturista, como a imagem sugere. Falemos apenas do primeiro, a propósito do lançamento de mais uma comPILAção de crónicas de Narciso Miranda, apresentada esta semana. Como sei que o ex-futuro presidente da Câmara é um homem frontal e que dá o peito às balas, gostava de lhe fazer uma pergunta aqui porque sei que costuma atracar muitas vezes neste PdL:
- Essas crónicas foram todas escritas por si?
Eu sei que Narciso teve sempre uma agenda muito preenchida e até admito que algumas vezes tenha delegado a tarefa em alguns colaboradores. Mas esta é uma dúvida que me assalta desde que li uma crónica assinada pelo então presidente da Câmara sob o título "O Sol", uma bela dissertação primaveril sobre o astro que nos ilumina, o Sol, bem entendido.

quinta-feira, 26 de março de 2009

CARTAZES (2)

« um contributo de Ricardo M. Santos

Galos de óbvia crista vermelha. De raiva? Ou de vergonha?

A MINHA FRANCISCA

Não digam que não é uma boneca a minha filha Francisca. Cá está ela encostada à parede que, no seu colégio, pais e filhos grafitaram. Confesso que foi uma surpresa para mim sobretudo atendendo ao ambiente em causa. Estamos sempre a ser surpreendidos e isto é que nos faz andar por aqui mais ou menos animados. Isto e também as nossas produções. Na parte que me toca, têm sido oito anos muito intensos e de aprendizagem. Agora andamos na fase dos mistérios da vida e do Universo. Deus também já passou por aqui mas não lhe demos muita importância. Nesta idade o mundo ainda é a cores. E quem já o vê a preto e branco não pode desperdiçar estes mergulhos na água tropical de uma mente livre e aberta. Sim, eu também perguntei várias vezes: "Não posso ser sempre criança?"

PASSATEMPO


O que é isto?
1 . A janela para a 5.ª dimensão.
2. O novo posto de atendimento ao munícipe medieval.
3. A bilheteira do Estádio do Mar.
4. Mais um prédio em Matosinhos Sul.
5. Uma guilhotina.

DONA ELVIRA

A simples menção do nome da dr. Elvira Castanheira provocou uma espécie de explosão atómica aqui por estas bandas. E os comentários que foram editados apenas são parte da onda de choque. Espanta-me sobretudo o machismo de alguns fregueses e também os seus problemas sexuais. A verdade é que nós, homens, temos sempre um pouco de cada um. Presumo que sofro do mal mas em doses moderadas, embora por ondas... Não percebo nada de mulheres e não preciso de prová-lo pois a minha história de vida aí está para dizer tudo. O que sei foi o que disse. Elvira Castanheira para além de ser uma bela mulher é alguém que tem também seduzido Matosinhos com o seu saber e o seu empenho. Uma mais valia desta terra. Obviamente a provocar a inveja de alguns e a cobiça de muitos mais. É a vida, como diz uma amiga minha. Cada um tem o que merece. E quem não tem é sempre quem mais afina.

CARTAZES(1)

Lanço aqui um desafio à clientela do PdL: quando andarem por aí e virem um cartaz já a propósito das autárquicas, mandam aqui para o "je" (o e-mail está no blogue). Este caçei-o hoje em Fafe, a terra dos justiceiros. Simples e directo. "Fafe é o meu partido" - não está mal. Bem, o nome do candidato é que...pois...pois, como pode alguém chamado Parcídio Summavielle passar a mensagem? O miúdo pelo menos não mostra aqui tiques de idiota que pensa ter descoberto a pedra filosofal só porque se inspirou numa capa rasca de um DVD.

segunda-feira, 23 de março de 2009

UM PONTO NA SITUAÇÃO

A coisa está a compor-se.
Narciso está declaradamente no terreno, o seu séquito a aumentar e a propaganda preparada. Já começou a captar adeptos entre aqueles que vão comprar coissants à Maurícia.
Guilherme Pinto continua na expectativa. O presidente da Câmara sabe que vai ter a máquina do PS do seu lado e até o Engenheiro Máximo. Esta gestão do timing permite-lhe também acertar uma equipa na qual parecem certas as saídas de Nuno Oliveira e Joana Felício.
O PSD mantém-se a correr por fora. Menezes está a tentar empurrar Marco António mas o seu ex-mais-que-tudo anda a fazer contas às sondagens e se avançar será só depois do Senhor de Matosinhos.
Quanto à CDU e ao Bloco de Esquerda, não há notícias. Com Honório Novo descartado pelo comité central, tudo velho na estratégia dos comunitas, que em Matosinhos funcionam por inércia. O Bloco, esse, já nos habituou a alguma letargia. São partidos que não contam para o totobola na luta PSD-Narciso-PS.
Resta saber se não surge mais uma candidatura independente, apoiada por algumas das mentes brilhantes de Matosinhos, direccionada para os votos da classe A e B e capaz de partir o habitual mapa da distribuição de votos, não se quedando pelas migalhas e reclamando uma fatia.
Tudo isto quando ao PdL chegam ecos que dão conta de que Guilherme Pinto vai apresentar uma equipa "arrasadora" e projectos de grande dimensão para o concelho consagrados pelo soberano do reino. Portanto, o dux de Matosinhos tem de cuidar-se pois parece que não tem pela frente um passeio...
Falta também o PSD definir a sua figura de cartaz e a sua estratégia. Pela cara do primeiro se verá a sua intenção e qual a sua força, neste momento calculada em 24% dos votos.
Não falei do CDS pois não vale a pena. Não tem expressão em Matosinhos e durante os últimos quatro anos ninguém o ouviu falar. Que saudades de Horácio Torre...

sábado, 21 de março de 2009

UMA NOITE MUITO NARCISISTA

Ora bem...
Sexta-feira, à noite, enquanto se registava casa cheia no salão nobre da CMM com um concerto memorável de Rodrigo Leão, Narciso Miranda foi o convidado de Joaquim Jorge no clube dos Pensadores, mais uma vez com assento no salão nobre da junta de freguesia de Leça da Palmeira. Cadeiras todas ocupadas e algumas pessoas no "hall", entre as quais alguns elementos da habitual claque do candidato a presidente da CMM, os chamados "colas" que NM terá muito dificuldade em sacudir da sua órbita.
No seu estilo livre, frontal, directo e nem sempre compreendido, JJ apresentou o convidado, colocou-lhe várias perguntas e parece ter saído frustrado porque a maior parte delas não foi respondida.
Narciso Miranda fez o seu comício e as perguntas que saíram da plateia não foram as mais felizes, sobretudo quando alguém se queixou do barulho provocado por um cão e outro reclamou um abrigo para os pobres em Matosinhos como solução para o seu problema pessoal.
Eu estava ali apenas para ver o que dava mas o JJ deu-me a palavra. Pelos vistos não fui politicamente correcto pois questionei NM sobre os seus 26 anos de mandato, surpreendido com o facto de o agora candidato não ter elencado erros, imputando estes apenas à actual equipa que ocupa a casa amarela. Equipa que, na minha opinião, também fez coisas boas. Desafiei ainda Narciso a pôr "os nomes aos bois" e não apenas a lançar críticas para o ar. Debalde. NM não estava muito para aí virado e a única resposta concreta que me deu foi sobre a situação da Petrogal. Narciso revelou que a refinaria esteve mesmo para ser desactivada e que a sua proposta para o local passava por um parque temático. Um grande parque temático, tendo em conta uma área igual ou superior à malha urbana de Leça da Palmeira. Disse ainda Narciso que um dos seus melhores mandatos aconteceu quando não tinha maioria absoluta, o que não deixou de ser uma mensagem subliminar, pois parece que já percebeu que vai ganhar as eleições mas que não terá maioria absoluta, precisando de se aliar a outra força para governar sem problemas, caminhando para os 30 anos como líder da autarquia matosinhense. Disse também Narciso que antes e depois de deixar de ser presidente da Câmara foi aliciado com vários convites, entre os quais um da Efacec e outro da Exponor. O seu lema é, ficou a saber-se, "reconquistar a força e a alma de Matosinhos", depois de "ter deixado a Câmara com os cofres cheios" e de se preparar para a encontrar "com os cofres vazios". JJ acabou algo abruptamente com a sessão e saiu disparado em alta velocidade, não ficando para o rescaldo. Eu fiquei e aproveitei para conhecer melhor a dr. Elvira Castanheira, historiadora que muito aprecio e que admirava à distância, tendo ficado prometido que vou mesmo ler o seu livro sobre os irmãos Passos Manuel. Ainda deu para ir beber um fino com o Modesto e para na volta deparar com um grupo em cavaqueira à porta da junta, ao som de uma banda de garagem que ensaia ali ao lado. Não se pode dizer que foi uma noite perdida. Nunca é quando o assunto dá pelo nome de Clube dos Pensadores. Mas confesso que esperava ver um Narciso Miranda mais contundente e mais preocupado em escutar que em propriamente em repetir frases funcionais do ponto de vista político mas algo ocas de substância. Provavelmente a culpa é minha, pois elevo sempre muito a fasquia e de facto não percebo nada da política que se faz nas "mercearias" deste país.

A caminho de casa, após uma curva mais apertada, choquei frontalmente com este pensamento:
- E se Joaquim Jorge for mesmo o candidato do PSD à CMM, será que consegue bater Narciso?

sexta-feira, 20 de março de 2009

JJ VOLTA A ATACAR

O Clube dos Pensadores volta a realizar esta noite uma concentração de neurónios e de massa crítica. Mais uma vez tendo como palco o salão nobre da junta de freguesia de Leça Está prometida a presença de Narciso Miranda e sempre quero ver como vai ser quando Joaquim Jorge repetir aquilo que ali disse há poucas semanas. Para quem não gostar deste tipo de coisas, sempre pode optar pelo concerto de Rodrigo Leão, no salão nobre da Câmara. Também é grátis mas não oferece doces húngaros.

quinta-feira, 19 de março de 2009

ESSADEQUEIROZ

Acho que conheço o autor de algum lado.

A seguir: http://essadequeiroz.blogspot.com/

SEXO NA VARANDA

À minha caixa do correio chegou esta imagem que dizem ser de um conhecido matosinhense de ideologia radical. Fica também provado que não é preciso fazer uma marquise para se conseguir estimular a líbido.

quarta-feira, 18 de março de 2009

VIVA O LEÇA


Um clube com uma história muito para além dos quinhentinhos:

terça-feira, 17 de março de 2009

O QUE É ISTO?



Meus amigos, não, não é um campo de tortura de Nenucos.
Não, não é um achado macabro.
Não, não é o jardim de Fritzl.
Não, também não não é o day after.
É apenas um pequeno campo de lavoura, entre a Memória e a Agudela, e os seus insólitos espantalhos.
Portugal sempre a surpreender-nos.

ALGURES, NA PRAIA DA QUEBRADA


Este é o segundo dia que passo na praia da Quebrada, em serviço, por causa do desaparecimento no mar do sobrinho de Simão Sabrosa. Não conhecia esta praia, entre o Marreco e a Agudela, e fiquei surpreendido com a sua qualidade. É apenas mais uma magnífica zona balnear de um concelho que durante muito anos votou a sua linha costeira a um insanável ostracismo (cá está uma palavra que aqui assenta como luva), cuidando apenas da sua costa a norte de Leça da Palmeira quando saltava à evidência o sucesso do serviço público nas renovadas marginais de Matosinhos (primeiro) e de Leça da Palmeira (a seguir). O que agora está a ser feito não é nada que já não se tivesse feito em Gaia, em condições mais difíceis, e mais vale tarde do que nunca. O que se lamenta é que os nossos políticos sejam incapazes de ver o que é evidente enquanto perdem tempo e dinheiro com fontes luminosas, bairros sociais de duvidosa utilidade e outros mamarrachos que bem podiam ser implodidos que nada se perdia. Esta falta de clareza e de capacidade de ir de encontro, imeditamente, ao serviço das populações é que o grande drama da administração pública autárquica. Agora que pelo menos os erros do passado sirvam de lição para o futuro de Matosinhos, com a qualificação histórica, social e ambiental de mais de 12 quilómetros de uma linha costeira fracturada pelo porto de Leixões e ainda conspurcada por algumas ribeiras.

domingo, 15 de março de 2009

LSC TV

Já no ar!
http://www.mogulus.com/lsctv

Um ESCLARECIMENTO: anda por aí uma certa boataria que afirma que este blogue é patrocinado pela campanha de Narciso Miranda, pelo facto de aqui surgirem blocos de anúncios ao seu site. Quero dizer que estes anúncia são colocados automaticamente pela plataforma google/adense, não correspondendo a qualquer critério definido pelo autor, identificado, deste modesto blogue.

sexta-feira, 13 de março de 2009

A CONFISSÃO


Confesso que foi com alguma surpresa que vi hoje Guilherme Pinto confessar, nas páginas de o "Público", que um carro da frota da autarquia está ao serviço das suas filhas, levando-as e trazendo-as da escola. Não vamos ser hipócritas e aqui perorar sobre a indignidade deste tipo de actos porque todos, ou quase todos, os praticam, usando viaturas oficiais para fins particulares. O que é novo aqui é a confissão. Com isto, Guilherme Pinto provavelmente arranjou um problema - será que pode ser acusado de peculato de uso? - e ao mesmo tempo, ingenuamente ou não, foi de uma sinceridade que até dói num universo onde impera a mentira e, como atrás se disse, a hipocrisia.

quinta-feira, 12 de março de 2009

O PRIMEIRO HINO TINHA DE SER DO AVELINO



Por mero acaso, acreditem ou não, hoje lanchei com AVF. E até deu para falar de Matosinhos. Cometendo se calhar uma inconfidência, sempre vos posso dizer que o próximo presidente da Câmara do Marco de Canaveses acredita num bom resultado para Marco António em Matosinhos...

quarta-feira, 11 de março de 2009

ESTA EU NÃO SABIA

Sabia que é comentador.
E comentador.
Mas doutor, isso não. Qual será a licenciatura?
Aceitam-se sugestões.

terça-feira, 10 de março de 2009

OBVIAMENTE SEM GRAÇA

Confesso que já estou um bocado cansado desta associação do livro de Ecco e do filme nele baseado a situações relacionadas com o Partido Socialista. Há quem chame a isto imaginação. Prefiro chamar-lhe falta de transpiração. O óbvio é fácil, o difícil é transformar o óbvio em mais uma dificuldade para os nossos adversários. Gostei mais do cartaz do combate. Este, meus meninos, é muito dejá vú. E, caramba, não podiam ter aproveitado uma foto do Narciso a roer as unhas?...

UM CAMPEÃO DO MUNDO COM NARCISO


Tozé, capitão da selecção portuguesa que venceu o Mundial de sub-20 em Riade, é o candidato de Narciso Miranda à junta de freguesia de Matosinhos e deverá bater-se contra António Parada (PS) e Américo Jorge (PSD). Ah, de futebol falando ainda temos o Nicolau Vaqueiro a concorrer pelo PSD em Guifões e o José Leirós candidato à junta de Leça do Balio também pelos laranjinhas. E eu, claro, e eu...

A coisa promete.

sábado, 7 de março de 2009

O ALBERTO e o JOÃO

São de Matosinhos dois dos cinco cronistas de referência deste país: João Pereira Coutinho e Alberto Gonçalves, ambos filhos "de boas famílias" cá da terra. Porém sem ficha partidária. O Alberto e o João não por acaso formam uma espécie de irmandade e começaram a evoluir como cronistas na imprensa matosinhense, o que é mais um motivo de orgulho para as gentes desta terra onde muito pouco de relevante acontece em termos culturais. A par de Ferreira Fernandes, Vasco Pulido Valente e Miguel Sousa Tavares, o Alberto e o João continuam a ser disputados pelos grandes órgãos de comunicação social. O JPC mudou-se agora do "Expresso" para a última página do "Correio da Manhã" - de sexta a domingo - e para a TVI 24 (estreia hoje à noite o seu programa) enquanto o Alberto há um ano se transferiu do "Correio da Manhã" para o "Diário de Notícias", onde é o único cronista que tem uma página (ao domingo), escrevendo também a última página da revista "Sábado", com a qual colabora desde o primeiro número. Tanto um como outro se estão a borrifar para qualquer tipo de reconhecimento da parte da terra onde nasceram e cresceram, o que se lamenta é que quem de direito continue a ignorar esta mais valia, mantendo-o à margem da "programação cultural" do concelho.

ZANGAM-SE OS CONFRADES...

Na Quinta de Santiago, em Custóias, um encontro imediato de 3.º grau graças à lampreia. Como todos sabem, o clisóstomo é um parasita de águas doces e salgadas especializado na técnica da ventosa, que lhe possibilita sugar o sangue das outras criaturas aquácticas. À bordalesa ou com arroz, é um petisco de comer e chorar por mais. Pois bem, foi em homenagem a este manjar que se reuniu a Confraria do Mar, à qual pertencem Guilherme Pinto e Narciso Miranda. Não sei quantos comensais se juntaram, o que sei é que apenas dois lugares separaram os agora adversários e antigos confrades da vida pública. Parece que ninguém cuspiu para o prato desonrando o cozinheiro mas ao que disseram foram feitas várias tentativas para juntar os "bichos". Debalde. Ficou apenas da grande tensão que existe entre o Barroselas e o homem da Rua Comendador Ferreira de Matos.

sexta-feira, 6 de março de 2009

AINDA A NOSSA BRITO CAPELO

« foto cedida por Jorge Moreira (Punk)O passeio era estreito, o eléctrico muitas vezes empancava nos carros estacionado em espinha, mas a Brito Capelo era uma festa e um sucesso comercial. Passa por ali agora uma coisa a que chamam Metro mas a sala de visitas de Matosinhos continua a esmorecer. Até um dos meus barbeiros tem a loja à venda. Provavelmente, na próxima vez que passar pelo 232 vou encontrar ali uma loja de chineses. Antes que fosse tarde, passei lá ontem para fazer barba e cabelo. Acreditem: é algo de afrodisíaco sobretudo na parte do pó de talco.

quinta-feira, 5 de março de 2009

GENTE DA NOSSA TERRA


VOTA NO ALBERTO!

Um Matosinhens entre as grandes figuras a cultura e da ciência portuguesa nos últimos 30 anos. Fantástico!

Em: http://30anos.correiomanha.xl.pt/register.php

quarta-feira, 4 de março de 2009

PARADA IMPARÁVEL (2)

A Junta de Freguesia de Matosinhos está a preparar, em conjunto com associações empresariais e de comerciantes locais, o lançamento do Cartão Consumidor Solidário, para apoiar as famílias mais carenciadas.O cartão permitirá que as famílias mais necessitadas da freguesia possam ter acesso a descontos na aquisição de bens de primeira necessidade, especialmente produtos alimentares. Nesse sentido, o cartão será emitido pela Junta de Freguesia, depois de analisar a real situação económica das famílias que o solicitarem.
in RTP

segunda-feira, 2 de março de 2009

A NOSSA SONDAGEM


Como se sabe, PdL é um blogue sectário, dependente e merdoso. Mas nem por isso deixa de ter o direito de também fazer as suas sondagens. A que corre na barra lateral já teve três centenas de participantes e mostra-nos um mano a mano entre Narciso Miranda e Guilherme Pinto, ambos com 37% das intenções de votos. Conclusão principal: a nossa clientela é também a deles. O PSD regista apenas 17%, o que até pode não fugir muito ao próximo resultado eleitoral pois estou cada vez mais convencido que Narciso vai roubar muitos votos aos laranjas. As outras forças somam um score miserável mas não devem desanimar. Os camaradas do PCP não frequentam blogues, a malta do Bloco está a fumar charros e os betinhos do CDS a andar à vela. No dia D eles também vão aparecer por aqui...

PARADA SEMPRE A MEXER


Telefonou-me um amigo para me dizer que viu o António Parada no congresso do PS. Atrás do Sócrates, tipo Emplastro. O que apenas confirma o actual presidente da junta de freguesia de Matosinhos como o político matosinhense do primeiro quartel do século XXI. O homem está em todas. Atira-se ao mar com vaga de 5 metros, põe o Scolari a calcorrer as ruas de Matosinhos a apanhar piriscas e a ameaçar os fumadores, corre para a Galiza para acompanhar um naufrágio, abre a junta aos pobres durante a vaga de frio, ajuda o povo a preencher o IRS e consegue meter a notícia na televisão e não precisa nem do PS nem do Narciso para ser reeleito. Cada vez mais admiro este tipo para quem a lota continua.