sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Matosinhos perdido



Um texto (mais um) interessante de ANTÓNIO GRAMAXO:
Matosinhos com pessoas, mas sem indústria, sem actividade e sem horizontes.

A mim, que vivi e senti bem por dentro o progresso desta terra, todas referências à industria conserveira e àquelas que lhe eram afins, tais como, as litografias em folha de Flandres, as latoarias, as serralharias, os armazéns de azeite, os madeireiros da zona de Aveiro(sobretudo estes) que forneciam as caixas para a exportação das conservas, as tipografias que faziam os envoltórios para embalar as latas sem impressão, as fundições que forneciam as soldas e estanhos para soldagem das latas e estanhagem das grelhas onde se colocavam as sardinhas em cru, enfim toda uma enormíssima actividade paralela à nossa industria e obviamente, a pesca, fizeram desta terra um polo dos mais importantes senão o mais economicamente viável do nosso País, me dizem tudo à minha experiência e sentido de vida. Igualmente nunca poderia ignorar as pessoas que trabalhavam heroicamente na indú...stria de conservas, milhares e milhares de pessoas, numa percentagem avassaladora de mulheres. Acho que sem elas, o seu saber e grande espírito de sacrifício jamais esta actividade seria possível. Não esquecer que a maior parte delas nem vivia em Matosinhos, mas sim nas freguesias rurais do concelho, donde se deslocavam manhã bem cedo e saíam do trabalho a altas horas da noite, sempre com um sorriso nos lábios e a cantar em grupos enormes e apressados de regresso a suas casas tentando esquecer as agruras e dureza do esforço do trabalho diário porque passavam. Também a verdade é que umas indústrias nunca subsistiriam sem a ajuda das outras e daí que todas elas fossem verdadeiramente complementares em todo o processo. Iniciei-me profissionalmente num período de crise das conservas e das pescas, depois surgiu a ressurreição e o apogeu da indústria até ao seu lento apagamento e daí, praticamente, até ao seu fim. As causas foram todas elas exógenas aos desejos dos verdadeiros interessados no progresso industrial de Matosinhos. Nada se fez para atenuar ou até combater esta situação verdadeiramente criminosa. Só que os culpados foram-se escondendo e passaram incólumes e sem julgamento! Mas eu sei quem eles são!
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