sábado, 2 de maio de 2009

AS TORRES GÉMEAS


As Torres gémeas da Facar foram eleitos o mamarracho mor de Matosinhos pelos leitores deste blogue. Nada a contestar porque gostos e desgostos não se discutem, na certeza de que, procurando mais um bocadinho, seriamos capazes de encontrar outras preciosidades arquitectónicas, não tão gigantescas, é certo, mas também relevantes em termos de desprezo pela estética e pelas esteticistas.
Ainda a propósito das nossas torres gémeas, recordo um artigo de Magalhães Pinto - um dos poucos intelectuais matosinhenses activos - sobre o assunto, com a devida vénia:


Na última edição, Manuel Seabra deu uma importante entrevista ao "MH". Li-a com muita atenção. Porque nas linhas e nas entrelinhas do que disse estaria, na minha opinião, muito do que Matosinhos vai ser na década que aí vem, pelo menos. E não senti que as minhas esperanças saem defraudadas da entrevista. No final, fiquei com a sensação de ter "ouvido" um homem sereno, que sabe o que quer. Para ele e para a sua (nossa) cidade. Se alguma imagem forte me ficou da leitura, ela foi a do contraste. Enquanto vou assistindo - sobretudo no programa "A Voz da Autarquia", que passa numa rádio do concelho - a tão subtis como nefandos ataques à sua pessoa, por parte do actual Presidente da Câmara, senti, em toda a entrevista de Manuel Seabra, uma notável contenção, quando não a rasgados elogios por si feitos à obra do Presidente. Acho que é assim, realmente, que deve ser. É nas vitórias e nas derrotas que melhor se conhecem os homens. Por mim, sinto-me honrado em conhecer Manuel Seabra.Entre os diferentes assuntos abordados, um há que me tocou de perto. E, por isso mesmo, estou em posição de dar o meu testemunho. Tem a ver com as Torres de Leça. Cuja responsabilidade alguém lhe atribuiu já. E da qual eu o posso inteiramente ilibar. Tal e qual ele conta na sua entrevista. Eu sei. Pela comezinha razão de que eu era, na altura, o presidente da NOVAFACAR. Empresa cujo capital pertencia já, então, à instituição para a qual eu trabalhava, o BPA. Muito jovem ainda, Manuel Seabra nem sonhava - tal e qual como diz - com ser vereador da Câmara.É muito fácil criticar, hoje, o projecto de Entrequintas. Mas não se pode criticar o projecto com os dados que temos hoje. É necessário regressar ao passado e saber porque é que tudo isso aconteceu. Eu conto. Pedindo desculpa ao Director do "MH" por ocupar hoje um pedacinho maior para os meus dizeres. É que acho que, se soubermos a verdade, criticamos seja quem seja com mais justiça. Ao mesmo tempo que deixamos ficar umas notas para a história de Matosinhos.A FACAR foi, durante muito tempo, uma empresa líder do mercado português na sua especialidade. Mas, no "25 de Abril", na vertigem do que se passou em muitas empresas, a FACAR foi reduzida a cacos. E acabou por ser intervencionada. E foi o que se sabe. Enquanto intervencionada, conseguia sobreviver apenas à custa de muito crédito bancário. Quando, pelo fim dos anos setenta, a FACAR foi desintervencionada e devolvida aos seus legítimos donos - os irmãos Carvalho - estava tecnicamente falida, com o mercado arruinado, devedora de milhões à Banca, sem matérias primas. Da empresa brilhante que fora, quase só restava o equipamento - entretanto a desactualizar-se - e os trabalhadores. Tal como foi feito com outras empresas, a Banca (nacionalizada, não esqueçamos) recebeu ordens para facilitar o crédito à FACAR. Sobretudo para aquisição de matérias primas, sem as quais não podia laborar. E, rapidamente, a FACAR fica a dever à Banca - principalmente ao BPA - muitos milhões. Algo que valeria, hoje, qualquer coisa como 12 a 15 milhões de contos.Mas o mercado tinha mudado. E os irmãos Carvalho eram gestores para um outro tipo de mercado. A FACAR não conseguiu recuperar. Em dois ou três anos voltou a ficar na falência. A Banca, entretanto, tinha começado já a ser mais racional no tratamento dos seus devedores. Foram tentadas várias soluções (algumas delas propostas pelo BPA e acompanhadas por mim. Nada resultou. E o Banco tratou de cobrar os seus créditos coercivamente. O resultado era simples. A FACAR seria declarada falida. Na sequência disso, desmantelada. E os trabalhadores, em número de algumas centenas, seriam lançados no desemprego, todos sem indemnizações que se vissem. Porque o único bem com valor existente no activo da FACAR eram os terrenos onde a fábrica estava instalada. E esses estavam hipotecados ao Banco, como garantia dos créditos.A perspectiva doía-me a mim e, creio, também aos responsáveis pela Câmara Municipal de Matosinhos. Especialmente a Narciso Miranda, o qual acompanhava a situação da FACAR muito de perto. Por isso é que consegui propor ao Banco que aguentasse a empresa enquanto se fazia o projecto urbanístico para os terrenos da FACAR, para ver até onde podia ir o Banco no apoio ao seu encerramento. O projecto foi feito com a rapidez possível, num gabinete de arquitectura também pertencente ao Banco - a Compave, de Lisboa, do qual eu era também presidente. E, de algum modo, o projecto foi feito de modo a permitir o desactivar da FACAR com respeito por todos os direitos dos trabalhadores, sobretudo no plano das indemnizações. Era uma tentativa de salvar da miséria muitas das famílias da nossa terra. Pronto o projecto, faltava apenas o acordo da Câmara. A qual deu o seu acordo desde que fossem salvaguardados os direitos dos trabalhadores. Foi assim que, efectivamente, foi aprovada, para aquele espaço, sem bem me lembro, 232.000 metros quadrados de construção (Manuel Seabra arredondou este número para 230.000 na sua entrevista).O que se passa nos finais dos anos noventa eu já não sei. Já não estava no BPA. Mas sei duas coisas. Primeiro, que o alvará do empreendimento de Entrequintas estava totalmente formalizado e não poderia ser alterado - sem acordo do promotor - para menos. E, segundo, que as duas torres existentes eram umas cinco ou seis no projecto inicial, embora algo mais baixas, com excepção de uma.Por tudo isto que eu sei, é que concluo com duas afirmações. É iníquo imputarem-se responsabilidades pelas Torres de Leça a Manuel Seabra. E é iníquo, mesmo, imputá-las a qualquer outra pessoa, tendo em conta o que contei. A não ser que estivéssemos dispostos a ver algumas centenas de famílias da nossa terra sem trabalho e sem dinheiro. Assim, pelo menos, puderam reequilibrar as suas vidas. Graças às Torres de Leça.

14 comentários:

Anónimo disse...

Como sempre, neste país, a culpa morre solteira. Um país onde não há rapazes maus, apenas bons malandros. Alí está um negócio onde ninguém ganhou dinheiro, a não ser o pessoal que perdeu o emprego. Vou novamente comprar lenços de papel para enxugar as lágrimas que me correm sempre que leio o "esclarecimento" de Magalhães Pinto. E também por causa das saudades do inefável Seabra. E do Narciso. E deste que lá está. Curva-te, Leça da Palmeira, perante aqueles que tão bem te têm feito! Não sejas mal agradecida!

Vitor Soares Maganinho disse...

Infelizmente, só posso dizer que preferia não ter lido isto de uma pessoa que tanto respeito e admiro. Eu sei quem mandou esta vergonha e também sei que sempre será defendido por algumas pessoas de Matosinhos.

Que esteja em paz na capital que nós passamos muito bem sem um ditador pior que todos os que conhecemos até hoje.

Apesar de os achar maus, muito maus aliás. Sempre prefiro Narciso e G. Pinto.

PS: Só uma história do Sr. Ditadorzeco.
Uma noite na esplanada do "Café Lua", estava com mais alguns amigos a conversar conversar, quando um ser asqueroso e nojento, decidiu passar por o meio de todos nós de jeito ameaçador. Ninguém o conhecia, talvez esse fosse o problema, ninguém lhe ter feito reverência ou pelo menos a que ela achava que merecia.

Graças a Deus que nos mantemos todos quietos e ninguém reagiu (até pela surpresa...), assim quem ficou de palhaço na história, foi quem teve essa atitude. Acabei de falar de alguém que (ainda bem) por pouco tempo, foi Presidente da Câmara de Matosinhos (nessa altura era).

Abraço

Anónimo disse...

Não haja duvida: Vou citar certo timoneiro, muito teu conhecido Geno:
" Se fosse hoje não autorizava", tenho dito.
Narciso vem depressa, mas desta vez sem favores a fazeres ao partido, senão também podes ficar partido.
LLXX

Anónimo disse...

Maganinho tou de acordo contigo e conheço bem o Besta de que falas .. manias

Janelas

AMIGO DE LONGA DATA disse...

Só Ditador?

Então o Dinheiro na caixa de sapatos na Garagem?

E a parcela de terreno junto À REAL VINICOLA?


Morreu o Sócio do PAI do SEABRA e anda muito mistério no AR!!!


VIVA O NARCISO...

PS. o BPA tem outras Histórias em MATOSINHOS...O PRÉDIO CASTANHO junto à ROTUNDA da ALGARVE EXPORTADORA...

Nuno Salgueiro Rocha de Correia Felício disse...

Oh Geno eu percebo a tua tristeza pelo facto de Manuel Seabra não ser Presidente da Câmara, eu que não gosto muito do Sr, reconheço que ao menos com ele lá teríamos uma liderança mais forte, e com mais discernimento, assim temos um falhado, que está rodeado da pior gente, que não consegue sequer fazer a gestão corrente da Câmara, anda sempre com aquele ar enfadonho, com o pescoço enterrado nos ombros e a olhar para o chão com um ar de "cachorro abandonado", ao menos o Manuel Seabra tem auto-estima, demais mas tem, este que lá está é um falhado, frustrado, com tiques de ditador, fruto da sua pouca habilidade para ser uma pessoal sociavel, sempre amuado a chorar no ombro da sua amiga pinguim Ana Paula Vitorino, e a descarregar as suas frustaçoes nos colegas de executivo.
Bom voltando ao princípio, melhor que mau líder é um líder mau, e de acordo com isso eu preferia trabalhar com o Manuel Seabra. Venham mais dez torres, mas tirem este falhado de presidente de câmara.

Anónimo disse...

Nao gostas tes do coméntario acerca do irmao do teu cunhado ???
Anarquista tu ???? tretas

JOSÉ MODESTO disse...

Antigo colega de turma !!!, aliás alguns colegas comentadores nesta blog foram meus colegas de turma,lembro-me perfeitamente nas aulas que tinhamos no Palacete (Visconde de Trovões), a questão das Torres Gémas em Leça da Palmeira foi um atentado a todos os Leçeiros, reparem na visualização ferida que as mesmas causam á nossa Freguesia.

Não podemos batalhar nessa matéria novamente, temos sim que evitar casos futuros de forma a que não hajam mais erros.

A gestão das Freguesias deve funcionar em perfeita sintonia com a referida câmara.

Em casos extremos a consulta popular deve ser efectuada aos cidadãos para que os mesmos se pronunciam sobre as matérias susceptiveis de causar agitação.

Saudações Marítimas
José Modesto

Anónimo disse...

"A gestão das Freguesias deve funcionar em perfeita sintonia com a referida câmara", José Modesto dixit. E não tem funcionado? Os picheleiros analfabetos funcionais que têm passado pela Junta de Freguesia de Leça estão sempre muito bem sintonizados com o Boss da Câmara. Apenas um único foi capaz de aprender a tabuada!

Anónimo disse...

OH MODESTO, és mesmo lindinho. "CONSULTAS POPULARES"??Essas existem de 4 em 4 anos, sabias disso?NÃO? pois, é que andar a brincar aos "referendos" dá no que deu o da Junta de Leça: 8500 PANFLETOS A CORES, BOM PAPEL, SELO PAGO...quantas RESPOSTAS houve ao questionário? pois, 1600; QUE TRISTEZA.BRINCAR ÀS CONSULTAS POPULARES E COM O DINHEIRO DOS CONTRIBUINTES!!!

MODESTO podias pagar a próxima consulta: QUEM TEM O MELHOR PENTEADO? E QUAL O GEL QUE USA?

POLITIQUICES

Anónimo disse...

o tabuada não aprendeu????? só com o Minhoto!!!!!!!

MAGALHÃES PINTO disse...

Relativamente a este caso, posso esclarecer tudo. Por conhecimento próprio.

O BPA não ganhou dinheiro. As administrações "revolucionárias" do período de intervenção do Estado na Facar, tinham lá metido QUATRO MILHÕES DE CONTOS. Hoje não parece nada. Na altura era uma fortuna inconcebível.

Acontece que o BPA não chegou a desenvolver o empreendimento. Já foi o BCP/MIllennium a fazê-lo.

Os Carvalhos não ganharam nada. Acabaram por ficar sem o seu património.

Os trabalhadores não ganharam nada com o encerramento, a não ser as justas indemnizações. Mas foram eles que pediram a intervenção do Estado no período revolucionário, que considero o facto determinante para o que hoje existe. Tudo o mais veio por acréscimo.

Leça da Palmeira não ganhou nada a não ser mais cimento.

É fácil criticar agora. Mas o caso da Facar, em Leça, tem um grande responsável: os desmandos económicos do período imediatamente subsequente à Revolução de Abril.

Poderia, obviamente, a autarquia ter-se oposto à concepção do projecto, não o aprovando. Não o fez porque em vez do processo ter sido calmo e, de algum modo, aceite pelos trabalhadores, teria tido grande agitação em Matosinhos. Mas isso só o responsável de então pela autarquia pode comentar. O responsável era Narciso Miranda. Nem quero admitir que ele fosse tão irresponsável que não tivesse conhecimento de um projecto desta envergadura no kmunicípio que administrava.

Magalhães Pinto

Anónimo disse...

Esta gente do Guilherme ou do PSD não tem hipótesse de ombrear com o grande Narciso Miranda.

De facto estes comentários traduzem um grande desespero, para quem tem uma derrota anunciada, como é o caso de Guilherme Pinto e PSD...

Então vocês acham que o Guilherme Pinto, que é talvez um dos piores Presidentes de sempre da história de portugal do pós 25 de abril, vai continuar, ou o Parada vai ser candidato à Câmara de Matosinhos?

Mesmo que o Parada fosse candidato, Narciso Miranda ganhava! e ganhava com maioria!

Deixemo-nos lá de joguetes e batanetes...

A estratégia da agência Lift, que o Guilherme contratou a peso de ouro, de chamar velho ao Narciso não pega, ele anda de bicicleta, dá palestras, levanta-se cedo e não bebe álcool. O Guilherme Pinto não faz desporto, a não ser levantar o copo... O suborno ao Joaquim Jorge também não funciona, porque apanharam o homem num momento de fraqueza (ele tinha que pagar o livro dos pensadores...), mas agora até já está a ver onde se meteu (O Nuno Oliveira só faz asneiras, não é joaquim jorge?)

Os tipos do PSD também andam aqui ao cheiro que eu já os topei! O que fez o PSD por matosinhos em 35 anos? ZERO!

Enfim, aprendam que aqui todas as vossas estratégias são desmontadas, muitos dos aqui escrevem não são sequer de matosinhos, são profissionais pagos para desestabilizar...

Anónimo disse...

NM leventa-se cedo porque não tem palha na cama. Levanta-se cedo porque não dorme. Não dorme porque lhe dói a consciência.Não bebe porque o fígado não deixa.

Ass:
Estratégia desmontada e paga a peso de ouro