quinta-feira, 1 de outubro de 2009

MAIS UM DEBATE

Terminou agora na RTP-N mais um debate. Este mais curso (50 minutos) mas mais impressivo, mais profissional. Desta vez não se discutiram finanças mas o PDM. Todos nós sabemos que o PDM tem sido uma arma de arremesso dos nossos autarcas - nem eles sabem o que é isso e muito menos querem saber. Acabemos com a hipocrisia: o PDM é apenas uma figura de retórica, é nos planos de pormenor que tudo acontece, é aí que terrenos que hoje valem 10 amanhã passam a valer 100. Eis o busílis da questão. Muito engraçado foi também ouvir o presidente e o ex-presidente falarem de especulação imobiliária. Esta só podia provocar mesmo uma grande gargalhada. Sempre que alguns senhores falam de especulação imobiliária deviam engolir esse vómito. Ou então jamais ousar falar do assunto.Depois de dois debates, de que se falou? Das finanças da Câmara - que está longe, muito longe, de uma situação crítica -, de planos directores e de obras sociais. Até Honório Novo caiu na esparrela de prometer a legalização dos clandestinos - ora, digo eu, todos sabemos que legalizar clandestinos não é mais nem menos que legalizar a ilegalidade, é entregar de mão beijada a quem se borrifou para a lei aquilo que outros tiveram de pagar. Poupem-nos a este desaforo. Curiosamente, ninguém, nem Guilherme, que tinha razões para isso, falou de de cultura. Quando é certo e sabido que se há um trabalho bem feito em Matosinhos nos últimos anos é nessa área. Primeiro com José Manuel Dias da Fonseca, numa forma que alguns classificam como elitizante, e depois com Fernando Rocha, uma surpresa nessa área. O trabalho que se fez na biblioteca municipal e no departamento de história e arqueologia é notável e se mais não se fez foi porque não se afectaram mais verbas para estas áreas pois, lá está, continua-se a pensar que é mais importante dar apartamentos a marginais ou facilitar a vida dos promotores imobiliários. É lamentável Guilherme Pinto não ter sido capaz de citar tudo o que se bom foi feito, no seu mandato e no anterior, nesta área. De Narciso Miranda, confesso, não estava à espera que conseguisse chegar tão longe, embora ninguém lhe possa roubar o mérito de ter dar corda aos seus vereadores para semearem este terreno. Guilherme Pinto foi o presidente da câmara que conseguiu, finalmente, reconstruir e pôr a funcionar o teatro Constantino Nery. O que aconteceu? Esqueceu-se.
Ainda sobre o debate, não será preciso dizer muito sobre o número final de Narciso Miranda ao mostrar o boletim de voto com o seu coração. Teve o realizador o bom senso de afastar a câmara e Fernando Queirós a coragem de mandar calar Narciso. Os matosinhenses não mereciam ser reduzidos à condição de apedeutas pelo homem que num destes debates se proclamou, mais uma vez, como o civilizador deste terra.
Tudo isto é triste mas é o nosso fado: não merecemos, de facto, ser respeitados por aqueles que validamos no poder e que raramente nos respeitam.
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