segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Matosinhos e o turismo do Porto



Este sábado tive em casa um casal de amigos que reside em Berlim, um espanhol e outro alemão, o Santi e o Hoger. O Santiago já conhecia o Porto mas há muito tempo que aqui não vinha. O Hoger, não. Tentei ao máximo leva-los por um circuito sem muito fluxo de turistas mas só nesta calçada das Fontainhas consegui algum sossego. Da Ribeiro à Baixa,,,é o mundo que toda a gente conhece. O Porto a booooombar. Um ambiente fantástico num dia fantástico, com restaurantes e lojas cheios, animação de rua, organizada e espontânea, igrejas abertas, museus a pedirem público, boa comida, espetáculos para ver, enfim, toda uma animação que faz do Porto a cidade talvez mais "in" da Europa.
Os matosinhenses olham para isto com natural inveja. Mas não têm de ter. No fim de contas, têm muita sorte pois com uma simples viagem de metro podem ser metidos nesta alegre confusão.
Quanto aos nossos políticos, teve de ser António Parada a colocar na agenda a questão do turismo do Porto que podemos e devemos aproveitar. Parada chamou apeadeiro ao terminal e o céu quase lhe caiu em cima. Mas todos sabemos qual é o destino normal dos passageiros que fazem escala em Leixões. O poder apressou-se a publicar fotos de funcionários a distribuir folhetos sobre Matosinhos! :) Estas coisas até têm alguma graça mas sobretudo foi interessante vermos a campanha eleitoral a terminal com todos os candidatos com o turismo que podemos ter no topo da agenda.
A verdade é que Matosinhos já começa a aproveitar, muito por inércia, o turismo que enche o Porto. É um movimento de estrangeiros que transborda naturalmente mas às pinguinhas. Mas Matosinhos, desenganem-se, jamais poderá oferecer o que o Porto oferece. Porque não tem a sua dimensão nem a sua monumentalidade artística, urbana e paisagística. O Porto é o Porto. Ponto. Matosinhos tem, sim, potencial para se assumir como um circuito alternativo, oferecendo serviços e sobretudo as suas praias. Não será nunca com museu para elites que iremos lá. Nem com folhetos avulsos distribuídos no terminal. Matosinhos tem de se dar a conhecer a quem chega cá para poder ficar à espera de ser mais um sítio onde ir para quem vem ao Porto. Ninguém virá a Matosinhos para ver o Porto. Quem chega cá vem ao Porto. Mas podem ser bem "enganados". De certeza que com fome não partirão nunca.

Só para terminar, quando ia levar o Santi e o Holger à boleia que tinham para Lisboa passamos pela Igreja do Bom Jesus de Matosinhos, eram 6 da tarde. "Que bonito, vamos ver", disse o Holger. Estava fechada.

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