quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Vai formosa mas não segura


É certo e sabido que esta candidatura do Partido Socialista, protagonizada por Luísa Salgueiro e com o apoio de algumas eminências pardas do partido, desde logo suscitou uma fratura na concelhia. Mas falando de concelhias é sempre para esse lado que a larga maioria dos eleitores dorme melhor pois não se interessa minimamente com o que se passa nas "mercearias" partidárias. Por isso, por norma o que aí ocorre tem pouco impacto nos resultados eleitorais. Desta vez, porém, parece estar a acontecer algo de diferente.
Há 4 anos, a caixa de Pandora foi aberta quando Guilherme Pinto, depois de perder a concelhia para António Parada, constituiu um grupo de independentes, entregou o cartão e venceu as eleições praticamente com a equipa que vinha a dirigir há 8 anos, em dois mandatos distintos, pois o primeiro contou com o apoio do Pai Narciso Miranda e o segundo com este como adversário no processo eleitoral.
No seu último mandato, como se sabe, Guilherme Pinto foi apanhado pela doença e não conseguiu chegar ao fim. Este facto acelerou o processo eleitoral pois Luísa Salgueiro teve de fazer avançar desde logo as suas peças no tabuleiro. Com Guilherme por cá, o que se pensava era que as próximas eleições seriam favas contadas. Mas a vida tem destas coisas e a partida do presidente da câmara acabou por "ajudar" a...partir tudo mais um bocadinho, deixando hoje um rasto visível de destroços não só entre os socialistas mas também entre os independentes que estiveram com Guilherme Pinto.
Para quem está mais atento, havia uma forma fácil de evitar tudo isto: Eduardo Pinheiro, que acaba o mandato como presidente, ser o cabeça de lista do PS após uma transição negociada para o PS. Mas Luísa Salgueiro estava, e está, determinada. A cavalaria avançou, com Pizarro a entoar as Valquírias wagnerianas. O resultado é o que todos conhecem. Os independentes que voltaram a ser socialistas não sabem o que fazer com os socialistas que não quiseram ser independentes e não tarda nada e teremos aí uma providência cautelar que até pode vir a colocar em causa a candidatura de Luísa Salgueiro. Falta saber como os juízes irão interpretar uma eventual violação dos estatutos do partido mas o mais provável é que tal não passe de uma ameaça. Digo eu.
O que é certo é que a família socialista de Matosinhos está metida numa camisa de sete varas, a que acresce o facto de António Parada, que durante muito anos andou com o partido às costas, ser desta vez candidato independente. Tá bonito! Mas pode ficar muito feio nos tempos que se aproximam sobretudo em relação a uma candidatura que aparentemente ia formosa mas não está segura quando é certo que Narciso Miranda, o dux, estará de novo na corrida eleitoral. 

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