segunda-feira, 1 de maio de 2017

Quando o mérito vai para a cloaca máxima



Como se sabe, a União de Freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira, perdão, de Leça da Palmeira e Matosinhos organizou uma gala da cidade de mérito e excelência com a presença de 900 pessoas, confiando nos torniquetes oficiais, para distribuir prémios de mérito e de excelência por TODAS, repito, TODAS as associações da freguesia, na pessoa dos seus presidentes, pois claro, pois mais ninguém trabalha nessas associações - no fundo, aplica-se a lógica que prevalece na união de freguesias, onde só o presidente parece existir, mesmo quando delega no fotógrafo a representação nos eventos menos mediáticos.

Se o critério para a distribuição de méritos é discutível mas pode ser compreendido num contexto de pré-campanha eleitoral, deve ser sempre alvo de algum escrutínio. Sem investigar muito verifiquei, por isso, que o presidente de uma fundação fantasma com sede na Rua Brito Capelo, em Matosinhos, também recebeu a sua medalha. A respetiva fundação está sempre de porta fechada mas o homem que a gere faz-nos o favor de abrir as janelas em certos dias para nos deixar vislumbrar um pouco do interior, esforço que, temos de reconhecer, justifica plenamente o prémio de mérito que lhe foi atribuído - não é qualquer um que sabe abrir janelas.

Se tudo isto não fosse verdade, teria alguma graça. Como não é assim, nem sabemos o que dizer. A não ser que vamos continuar atentos ao que se passa na nossa freguesia. É um direito constitucional que nos assiste embora não garanta qualquer medalha de lata. O que é excelente e mérito nosso também.
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