quarta-feira, 10 de maio de 2017

A Petrogal/SACOR e Matosinhos


Quis o destino que me tornasse vizinho da Refinaria da Petrogal no Norte. Já lá vão 11 anos de vizinhança e três acidentes. Continuo à espera que a Petrogal ou a proteção civil me faça chegar um simples manual de procedimentos em caso de emergência, para além dos sinais sonoros que ninguém entende.

Desde a sua criação, esta refinaria provocou polémica. Um histórico presidente de câmara, Fernando Pinto Oliveira, foi mesmo demitido por não concordar com a sua localização (pretendia que fosse implantada mais no interior do concelho).

A verdade é que a antiga SACOR trouxe emprego e vitalidade para Matosinhos. Mas trouxe também outras coisas, com a poluição à cabeça. Hoje, felizmente, a poluição já não é o que era mas uma refinaria é sempre uma refinaria...

Vem isto a propósito de mais uma greve que está em curso na Petrogal, empresa de capitais mistos que continua a acolitar quem passa pelo poder e rapidamente se instala em gabinetes luxuosos da capital, onde não chega o cheiro da refinaria.

O abastecimento de combustíveis está a ser desviado para Aveiras desde que a greve começou, o que é sempre um alívio para vive no entorno nascente da refinaria pois o famoso canal de ligação às auto-estradas continua por fazer apesar de já ter sido apresentado dez vezes.

O que acontece há muitos anos em Matosinhos é que a Petrogal quer, pode e manda, por muitas ameaças que os autarcas possam fazer - o que é facto é que, mais tarde ou mais cedo, acabam por ir comer à mão da administração da refinaria, que não se importa que aqueles se gabem leoninamente de obras custeadas integralmente pela Petrogal.

Na luta em curso dos trabalhadores ainda não vi qualquer sombra de solidariedade por parte de quem está no poder ou ao poder concorre. O que é natural. A lição que Fernando Pinto Oliveira levou ainda está bem presente.
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