quinta-feira, 27 de abril de 2017

Boa Nova a ver-se ao espelho


O templete de Santo António da Boa Nova, implantado no local onde durante cerca de 80 anos funcionou um pequeno eremitério de franciscanos, é um dos 'spots' preferidos dos matosinhenses e em especial dos leceiros. Ali se fez recentemente uma importante intervenção arqueológica que identificou dois momentos relativos ao edifício do antigo lar dos franciscanos que depois se mudaram para a atual Quinta da Conceição, e a igreja foi também objeto de uma operação que foi para além do simples restauro. Esta nova ala, a norte, que se vê na foto de Humberto Gomes da Silva, realça a novidade, com uma superfície espelhada que, acredito, primeiro se estranhou mas que já se vai entranhando. Todas as intervenções em edifícios antigos são polémicas. Há sempre quem defenda a integralidade histórica e há quem abra espaço para alguma inovação (como aconteceu aqui). Mas o mais importante não é restaurar e o modo como se restaura. O mais importante é fazê-lo com o objetivo de proporcionar o usufruto. O que não acontece. O templete está muito mais bonito, a sua história foi acrescentada...mas continua geralmente fechado e quem ali vai - e por ali passam muitos peregrinos rumo a Santiago - chega e parte com a mesma informação. Ou seja, sem perceber o que encontrou nesta pequena mas bela finisterra leceira. Não basta investir na obra quando se fala de património. Esse é apenas o ponto de partida. Mas este é, infelizmente, um tique dos nossos políticos, que perdem todo o entusiasmo depois do corte da fita e da fotografia da ordem.

PS - Curiosamente, no dia em que os meus colegas arqueólogos divulgaram ali o resultado dos seus trabalhos a capela naturalmente esteve aberta mas só ali compareceram 10 ou 12 pessoas. Ninguém viu por lá o presidente da junta. Também é verdade que estava a chover muito e que a plateia era minimalista.
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