quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Manel Zé volta à crista da onda

Conheço o Manel Zé há quase tantos anos como os que tenho de vida. Acampei com ele na ria de Aveiro, no Gerês e até na Quarteira. Cantei com ele no coro do Orfeão de Matosinhos. Apaixonámo-nos pelas mesmas gajas, trocámos cromos e só não fumámos charros juntos porque ele era...contra. Desde muito cedo que Manuel Seabra assumiu o seu percurso como político. O objetivo, suponho-o, era chegar à presidência da câmara municipal de Matosinhos. Chegou lá durante aquele ano em que Narciso Miranda achou que era mais aliciante ser secretário de Estado dos portos e das marinas que ser líder da autarquia de Bouças, quíçá o seu maior erro político. Quando voltou já nada era como antes e a ligação com Manuel Seabra quebrou-se. Seabra que viria a conquistar a concelhia concorrente contra Guilherme Pinto, o candidato de Narciso. Foi neste contexto, com Seabra a assumir a candidatura à sucessão de Narciso, que aconteceu o que todos conhecem na Lota de Matosinhos. Durante alguns meses tanto Narciso como Seabra pareciam "queimados" para a política. Parada também estava no filme mas na altura era carta fora do baralho. O tempo passou, os castigos saíram, os castigados estrebucharam e o tempo passou. O tempo tudo resolve. Manuel Seabra fez uma pequena travessia no deserto e tornou-se finalmente deputado da nação e comentador da Benfica TV, depois de ser chefe de gabinete de António Costa na câmara municipal de Lisboa. Terça-feira lá estava num painel da SIC Notícias em pose de estadista, falando das virtudes da "nova geração" do PS que, no seu entender, é capaz de resolver conflitos sem que o partido, o socialista, obviamente, se frature. Deve ser da minha miopia mas não consigo ver grandes virtudes nesta "nova geração" de políticos que teve em José Sócrates o seu expoente máximo. Sou teu amigo, Manel Zé, acho que serei sempre, mas não me desiludas mais. É perfeitamente escusado defender o que não tem defesa, ou seja, que há algo de novo na classe política e que o regime socrático teve virtudes. Não teve. Foi um desastre. Esquece isso. Agora que estás de novo na crista da onda, não mergulhes mais de cabeça no lodo.
E muita saúde!
 

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