sábado, 5 de fevereiro de 2011

REGIONALIZAÇÃO

A convite do meu amigo Carlos Alberto estive sexta-feira à noite na junta de freguesia de Matosinhos para assistir a um debate sob o mote "Regionalizar para quê?". Infelizmente só pude assistir à primeira intervenção dos três oradores convidados: José Luís Carneiro, presidente da Câmara de Baião, Guilherme Pinto, que dispensa apresentações, e Rio Fernandes, professor universitário. O debate foi organizado pelo clube "Pensar e Agir Local", mais conhecido pelo acrónimo PAL, um grupo que resultou, pelo que fiquei a saber, do movimento da candidatura de José Luís Carneiro à distrital do PS do Porto, que acabou por perder, embora sem levar goleada. Comecei por estranhar que os três convidados estivessem todos a favor da regionalização mas pelo que soube depois muitos dos presentes, que encheram o auditório, não estavam. Como todos sabemos, a regionalização já foi referendada pelos portugueses e foi chumbada por um total superior a 60%. Mas continua a ser o que podemos chamar uma questão de fundo que o PS, sobretudo, de vez em quando pretende trazer à superfície. Ouvi atentamente os argumentos dos seus defensores e gostei sobretudo da prudência de Guilherme Pinto, que entende que o lançamento de um novo referendo talvez seja prematuro. O nosso presidente da câmara, usando o seu timbre impressionista e grave, nunca se engasga quando fala e mais uma vez marcou pontos, descontando obviamente o seu fanático optimismo em relação ao programa do actual governo e às virtudes da aposta nas renováveis e nas novas tecnologias... Mas, pronto, quem anda na política é como quem vai à igreja: tem de haver fé!
Não penso que a regionalização seja propriamente uma prioridade nacional. Como foi dito no debate, Portugal é um país sem regiões geográficas, ao contrário, por exemplo, de Espanha e a regionalização que devia fazer já está feita nas ilhas. Eu se fosse presidente da câmara iria achar sempre que me estavam a passar um atestado de incompetência quando se falasse na necessidade de dotar determinadas "regiões" de um governo. A regionalização que reconheço é a que foi feita por Passos Manuel, com os concelhos e as freguesias. Como todos sabemos excessiva. Mas quase impossível de mudar devido aos pequenos regionalismos: a tendência não é para reduzir o número de concelhos mas sim para aumentar. Guilherme Pinto pode defender o contrário mas acredito que só o fará num ambiente inócuo, como, por exemplo, num debate deste tipo. Nenhum partido político ousará ter por bandeira o ideal de apagar do mapa municípios. Como não o conseguem, querem alguns dos partidos governos regionais, embora ainda ninguém saiba como pretende "dividir" o país e muitos percebam os perigos de uma tal coisa, terreno fértil para o germinar de bairrismos estúpidos e sem qualquer sentido. Estar a falar hoje da regionalização é, no meu modesto ponto de vista, o mesmo que alguém que está perdido no deserto pedir um copo de vinho em vez de uma garrafa de água. Mas enfim. Quando há ideias em cima da mesa, como foi o caso, podemos perdoar mesmo aquilo que nos parece uma idiotice.
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