terça-feira, 28 de setembro de 2010

LA NAVE VA


A doca vista da janela do meu carro, na imobilidade possível de quem passa na Ponte Móvel de Leixões, correndo não se sabe para onde, se calhar para sítio nenhum, deixando para trás o sonho de entrar num paquete e de rumar a um fiorde longe do mundo.
Nem de propósito, o JN de hoje, assumindo-se em definitivo como um jornal paroquiano, dedica uma página ao vandalismo que assola a ponte depois da desmobilização dos seguranças que por ali andavam:
"Inaugurada há três anos e galardoada internacionalmente, a ponte móvel de Matosinhos está tomada pela sujidade. Há painéis de acrílico partidos e os elevadores são usados como quarto de banho. Os utentes protestam. A APDL diz que vai reforçar a fiscalização."
Ora, todos sabemos que os portugueses passam-se quando abandonam o ambiente caseiro e fazem do espaço público o que um porco não consegue fazer da sua pocilga. Sendo que para ajudar alguns meninos com graves problemas existenciais desatam aos pontapés a vidros, caixotes do lixo e a todo o tipo de mobiliário urbano pensando que estão a exorcizar os fantasmas que habitam nas respectivas casas. É um fenómeno de catarse que se regista. Temos o espaço público que temos, no estado em que está, porque somos, no geral, um povo acívico e desequilibrado mentalmente.
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