sexta-feira, 9 de outubro de 2009

PARA REFLEXÃO




Amanhã é o chamado dia de reflexão.
Os matosinhense podem ponderar em quem vão votar. Não acredito que o façam, acredito mais que aproveitem o tempo para ir ao hipermercado. Mas isso é com cada um.
Antecipo aqui a reflexão, talvez uma introspeção, para falar um bocadinho de cada um dos candidatos.

GUILHERME PINTO - Aos 50 anos, este advogado nascido na Rua Comendador Ferreira de Matos e criado no mercado de Matosinhos, onde a sua mãe tinha uma banca de louças e artesanato, é um filho da terra com larga experiência política ao nível local. Também passou pela Assembleia da República e parece que Jorge Sampaio gostou muito da qualidade do seu trabalho e também da sua entrega. Aliás, quem trabalha com Guilherme Pinto reconhece facilmente a sua disponibilidade e a forma como se "dá" às causas que abraça. Vereador do ambiente durante algum tempo, foi autor de alguns importantes projectos nesse campo e também na restauração de algum património. A "exclusão" de Manuel Seabra deixou-o inesperadamente com caminho aberto para um cargo a que se calhar nunca aspirou mas que assumiu com o mesmo espírito que revelou enquanto "homem que vereia", ou seja, que cuida dos caminhos. Formou uma equipa onde misturou juventude com experiência e no geral acertou. Nuno Oliveira revelou-se um bom gestor, Correia Pinto fez um bom trabalho na educação e Fernando Rocha surpreendeu na cultura. Mais, conseguiu a proeza de "agarrar" todos os elementos da sua equipa, não permitindo que se passagem para a candidatura de Narciso Miranda. O que revela não apenas a lealdade dos mesmos mas também que gostaram de trabalhar com GP. Os funcionários da autarquia dizem-me o mesmo, ou seja, que GP não se põe em bicos de pés, que trabalha bastante e que não maltrata ninguém. Pode parecer pouco mas considero que é muito. Por tudo isto, GP surge legitimamente como grande candidato à reeleição. Não é o PS que está em causa, é sobretudo a qualidade da equipa de Guilherme Pinto. Ter conseguido dar este salto quântico já é proeza.

NARCISO MIRANDA - 26 anos e um mês como presidente da Câmara e mais três como vereador da equipa do saudoso Mário Maia, o Dux de Bouças é uma força da natureza. Não foi propriamente o civilizador de Matosinhos mas muito do que foi feito no concelho nos anos 80 e 90 tem a sua marca. Viciado no trabalho também, Narciso conseguiu formar grandes equipas e acabou por criar filhos que mais tarde ou mais cedo se revoltaram com o pai. Todos passamos por esta fase na vida mas o normal é depois tudo estabilizar. Não foi o que aconteceu também porque na política tudo é diferente. Os onze meses que passou em Lisboa, depois de aceitar uma secretaria de Estado obscura, acabaram por estigmatizar a carreira política de Narciso Miranda. O caso da Lota apenas ajudou à festa. Derrotado por três vezes por Manuel Seabra na concelhia de Matosinhos, Narciso perdeu o pé na sua própria casa e dou de barato que tivesse sido vítima de algumas traições. Também fez por isso um bocadinho. É impossível não se gostar de Narciso e eu não fujo à regra. O Dux sabe que nunca lhe pedi nada, que nunca esperei nada dele e que sempre disse o que pensava sobre a sua figura, com alguns devaneios que hoje considero desnecessários. Mas nem por isso ele perdeu a compostura e, uma vénia lhe faço, sempre me tratou com respeito. O sentimento é recíproco. Não sei se Narciso vai ganhar ou perder no próximo domingo. Sei que mesmo ganhando já perdeu alguma coisa. Narciso Miranda tem o seu nome associado à história de Matosinhos e não percebeu que há um tempo para tudo. Aos 60 anos, depois de uma vida intensa, podia ter chegado a hora de avançar para a última volta do circuito sem a obsessão de acabar em primeiro. A sua corrida está ganha há muito tempo. Por isso, tenho pena quando o vejo rodeado por apedeutas e oportunistas, numa guerra que apenas manchará um percurso que não está isento de erroso. Sendo o principal o facto de ter transformado a Câmara Municipal de Matosinhos numa agência imobiliária, agrupando néscios e vagabundos em bairros sociais e promovendo, a outro nível, a incompetência em alguns cargos municipais apenas porque sentiu que essas pessoas jamais o afrontariam e que lhe estariam gratos para o eterno. Mas, está visto, o eterno é bem efémero...

GUILHERME AGUIAR - A escolha do PSD/CDS foi absolutamente incrível. Também é verdade que estes dois partidos não conseguiram, nos anos da democracia, gerar massa crítica a nível local e temos visto um pouco de tudo em tempo de eleições, até um borrachola da capital foi candidato e o último cabeça de lista foi contratado no Trofa. Este foi em Gaia. Um comentador desportivo conotado com um clube e um vereador de Luis Filipe Meneses. A última das escolhas pois, é sabido, Marco António Costa ainda ponderou ser candidato em Matosinhos mas percebeu que dificilmente conseguiria vencer a Narciso e a Guilherme Pinto. Sobrou Guilherme Aguiar. A campanha que realizou foi um desastre, com uma sucessão de tiros nos pés, atrasos em acções de campanha e um discurso incoerente. Esperava mais dele mas percebo que se tenha perdido na malha do PSD de Matosinhos, um saco de gatos onde todos se arranham e ninguém sobressai. É um partido que não respeita os matosinhenses e que por estes não merece ser respeitado. O resultado de domingo vai confirmar isto mesmo.

HONÓRIO NOVO e FERNANDO QUEIRÓS - Dois comunistas juntos não se atrapalham, pois não. Já aqui falei muito de Honório Novo, que é claramente um político com dimensão de político. Está é no partido errado. Em Matosinhos e na Assembleia da Repúbica, Honório raramente parece um comunista a falar e surge sempre com uma luminosidade rara. Mas, claro, chega sempre a hora de vestir o fato do partido e de, obviamente sem gravata, recitar a cassete. Obviamente, os matosinhenses não são parvos e na altura de escolher entre Narciso e Guilherme desta vez irão votar útil. Lamento, caro, candidato, mas desta vez não votarei em si... Quanto a Fernando Queirós, está a começar enquanto o seu partido se está a consolidar. A sua meta é terminar à frente da CDU no próximo domingo e acredito que será possível, embora com um score que não chegará para eleger um vereador que elegeria com os resultados (12%) das legislativas...
PS - Um esclarecimento para um anónimo que veio aqui vomitar. Posso ser tudo o que diz que sou mas borrachola não sou e mesmo que fosse não seria mais nem menos que dois milhões de portugueses que andam por aí. Para a próxima informe-se melhor já que, presumo, até tem boas fontes.
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