quarta-feira, 2 de setembro de 2009

TRIBUTO AO NOSSO CAPITÃO


Uma vida dedicada ao Leixões. Bruno China defendeu as cores rubro-brancas desde os oito anos e, até há dias, era o único jogador da Liga que apenas tinha conhecido um clube. O salto para Maiorca rompeu o ciclo.
Contam-se pelos dedos os jogadores que, ao longo da carreira, apenas defenderam as cores de um clube. Em Portugal, o verdadeiro amor à camisola era, até há pouco tempo, encarnado por Pedro, guardião do Paços de Ferreira, que, no final da última época, pendurou as luvas, tendo abraçado a carreira de treinador de guarda-redes. O defesa-central Alexandre, do Varzim, da Liga de Honra, era outro dos exemplos de fidelidade, mas, no final da última temporada, também se despediu dos relvados.
O outro caso morava em Matosinhos, onde Bruno China era, até há poucos dias, o único atleta no activo que apenas tinha envergado uma camisola, neste caso, a do Leixões. Com a transferência do médio, de 27 anos, para o Maiorca, de Espanha, a Liga perdeu o último dos moicanos, que representava a paixão daqueles que, num passado muito longínquo, se habituaram a ver os seus craques sempre com a mesma camisola.
As novas leis do mercado e a força económica de outros países da Europa precipitaram o fim do amor à camisola em Portugal e, mesmo noutros campeonatos, são cada vez mais raros os casos de ligação eterna a um clube. Em Itália, Paolo Maldini (Milão) foi um dos casos mais mediáticos, e no presente há os bons exemplos de Totti (Roma) e, em Inglaterra, de Steven Gerrard (Liverpool).
João Faneco, o primeiro treinador de Bruno China no Leixões e ainda responsável técnico pelas escolinhas do clube, confessa um misto de "satisfação e tristeza" pela saída de um dos mais representativos futebolistas do emblema do Mar. "Era uma oportunidade que ele já merecia há algum tempo e penso que está preparado para a agarrar. Mas senti algo de estranho quando, no último jogo do Leixões, olhei para o campo e não vi o Chininha", confessa, com o maior carinho do Mundo, num sentimento construído à custa de uma ligação de 20 anos quase diária. "Ainda hoje falávamos muito e sei que ele me ouvia. Mas quem foi determinante para a evolução do China foi o seu pai, o Carlos. O China deve-lhe muito".
Para João Faneco, o antigo capitão do Leixões tem todas as condições para triunfar na Liga espanhola: "Ele sabe o que tem de fazer. Fundamentalmente, deve continuar a ser o mesmo homem, mantendo-se humilde, educado e sempre muito concentrado. Parece que o estou a ver a olhar para mim e ouvir atentamente as palestras. Que saudades...".

in JN
PS - Um exemplo raro deste porventura último moicano. Um excelente jogador - que estranhamente não mereceu a atenção de qualquer grande do futebol nacional - e um homem bem formado, interessado pela sua terra e com uma cultura acima da média dos futebolista. Toda a sorte do mundo para ti, Bruno, nesta aventura maiorquina.
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