quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O DEBATE

Segui atentamento o debate, no Porto Canal, entre os cinco principais candidatos à presidência da Câmara Municipal de Matosinhos, que são três, quase como os mosqueteiros, como se sabe aqueles que usavam mosquete a cavalo e a espada quando apeados. A minha expectativa não era alta e ainda bem. Correndo o risco de me classificarem como faccioso, acho que Guilherme Pinto foi realmente o único que conseguiu projectar uma imagem positiva. O actual líder da CMM revelou conhecimento dos dossiers, foi flunte no seu discurso, ignorou olimpicamente Narciso Miranda e mostrou fibra. Narciso Miranda jogou claramente à defesa. Não sei quem são os consultores mas são seguramente muito nabos. Narciso Miranda, que até chegou a ameaçar abandonar o debate sem se perceber porquê, tentou estudar a lição mas não foi ele, foi apenas a imagem que prepararam. Uma imagem desfocada, a começar pelo penteado que lhe arranjaram. Narciso neste momento só tinha de meter toda a carne no assador, ou seja, de passar à ofensiva e de bombardear os seus principais concorrentes recorrendo se fosse preciso à arma da demagogia - este é um dos poucos momentos em que esta pode ser legitimada. Não. Narciso Miranda quis passar a imagem de um tipo simpático sobretudo em relação ao seu ex-delfim. Resultado, não o afrontou e foi encostado por ele às cordas. É verdade que a moderação do debate também foi desastrosa mas esse problema também teve Guilherme Pinto e superou-o. Mas se Narciso não esteve bem, o homem que estava à sua direita esteve francamente mal. É incrível como aceita a imagem do paraquedista que o tonto do moderador lança logo a abrir! Depois, aquelas cotoveladas amigáveis a Narciso...meus Deus, o que é lhe passou pela cabeça? Guilherme Aguiar é uma pessoa muito fluente mas muitas vezes sufoca nessa fluência. Que foi o que mais uma vez aconteceu. Momento particularmente desastroso aquele em que se enganou clamorosamente no número do passivo do município. Sem poder chamar a obra que fez em Gaia - e que foi excelente - porque sabe que o facto de ter atravessado a ponte o desfavorece, Aguiar perdeu-se no seu labirinto e nem graça conseguiu ter quanto mais ser engraçado. Honório Novo, por seu lado, "isolou" bem o seu alvo (Guilherme Pinto) mas não foi capaz, com tanto ruído, de o socar com violência - também não ajudou o facto de ter ficado ao seu lado e não frente a frente. Fernando Queirós esteve sempre fora-de-jogo. Percebe-se que é uma pessoa sensata mas não tem contundência e foi ele mesmo a confessar que tem falta de informação. Não parece um tipo do Bloco de Esquerda pois é tudo menos radical mas era um pouco disto que se pedia neste debate. Gravei o debate e vou tentar reproduzir aqui algumas partes, tentando justificar esta primeira impressão. Numa análise quase futebolística, classifico assim a performance dos cinco candidatos:
GUILHERME AGUIAR - Chutou com o pé que tinha mais à mão.
GUILHERME PINTO - Jogou de trás para a frente, sempre com os olhos na baliza, embora um pouco transpirado.
HONÓRIO NOVO - Mostrou que um bom suplente não é necessariamente um bom efectivo.
NARCISO MIRANDA - Jogou de pantufas e acabou de rastos.
FERNANDO QUEIRÓS - Tal como a bola no futebol, não teve culpa de nada.
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