domingo, 9 de agosto de 2009

CANDIDATURAS INDEPENDENTES


Interessante seria alguém que nunca teve nenhum cargo público, vindo genuinamente da sociedade civil e conseguisse ter êxito, pôr as suas políticas e ideias em prática.


Ser candidato independente a um órgão autárquico a lei permiti-o, mas ao Parlamento não, só inserido em listas de partidos.Uma candidatura independente a um órgão autárquico exige um conjunto de condições prévias mais complexo que as apresentadas pelos partidos, nomeadamente um número mínimo de assinaturas e uma especial capacidade financeira por parte da estrutura de apoio. O cálculo de base para determinar o número mínimo de assinaturas, cujo valor absoluto varia de caso para caso, baseia-se numa equação onde o número total de eleitores é dividido pelo triplo dos eleitos locais.Em hipótese, num concelho com cem mil eleitores e 11 membros de um executivo municipal, seriam necessários 3.030 assinaturas (100.000 a dividir por 33), a entregar num prazo a definir após a publicação da data da realização das eleições autárquicas – o que só acontecerá no segundo semestre de 2009. O número de assinaturas necessário desce substancialmente quando falamos de uma candidatura à Assembleia Municipal, já que o número de eleitos é substancialmente maior – no mesmo universo de cem mil eleitores, e face a uma AM com 30 membros, são precisas 1.111 (100.000 a dividir por 90). Os partidos, que se encontram já registados, e que aquando da sua formação tiveram também de apresentar um número mínimo de assinaturas, já não são obrigados agora a esse procedimento, bastando apresentar os nomes dos candidatos. O financiamento de uma candidatura independente é rigorosamente igual ao de uma partidária, mas sem o “guarda-chuva” financeiro em que os partidos normalmente se transformam durante o período eleitoral. Os partidos optam normalmente por contrair um empréstimo global com a banca, entregando logo no arranque da pré-campanha uma determinada tranche a cada candidato.Um candidato independente terá de depender num primeiro momento de um empréstimo que faça a expensas próprias, esperando depois conseguir os apoios e patrocínios necessários para o pagar na totalidade. O Orçamento de Estado atribui uma verba geral para patrocinar candidaturas em cada acto eleitoral, tendo cada município direito a um determinado “bolo”. Um quarto desse “bolo” é distribuído de forma igual por todas as candidaturas, sendo os restantes 75 por cento distribuídos de acordo com os resultados eleitorais – pagos apenas após a publicação desses resultados, ou seja, nunca antes de meados do ano seguinte. Uma candidatura independente tem direito a receber donativos como a de um partido, com as mesmas restrições: cada doação está limitada a um máximo legal e só pode ser feita por particulares devidamente identificados, nunca por empresas. Para o efeito, por norma uma candidatura independente é suportada por uma associação ou “movimento de cidadãos” com número fiscal próprio para “passar recibo” a cada donativo efectuado e com quotas pagas pelos respectivos associados – que em alguns casos podem corresponder a centenas ou mesmo milhares de cidadãos. Até agora a maioria das candidaturas independentes vêm de pessoas que se zangaram ou os partidos não as quiseram como candidatos e concorreram por motu proprio. Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras, etc., tiveram êxito devido ao seu mediatismo e saberem do que a casa gasta. De outro modo mas também – Helena Roseta. Para a Presidência da República Manuel Alegre. Vamos ver com Narciso Miranda. Interessante seria alguém que nunca teve nenhum cargo público, vindo genuinamente da sociedade civil e conseguisse ter êxito, pôr as suas políticas e ideias em prática. Mas para se ter poder politico (independente dos partidos) é preciso poder económico. Era bonito um dia acontecer, não é fácil chegar lá, mas de todo impossível.


JOAQUIM JORGE

Enviar um comentário