terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

SÓCRATES A CAIR NO RIDÍCULO


Estou surpreendido com a reacção de José Sócrates ao "caso Freeport", exemplo cabal de uma fuga para a frente. Nada do que diz vem a propósito de nada, dos casamentos gays à regionalização, passando pela redução das deduções fiscais dos ricos que por acaso não especifica. O primeiro-ministro está a ser uma desilusão. Não havia necessidade de entrar neste campo movediço. Todos sabemos que está afectado pelo que aconteceu e que os seus lugares-tenentes, com destaque para o Grande Augusto, não estão a conseguir provocar ruído suficiente para abafar o caso. O caso existe e envolve naturalmente o primeiro-ministro. É grave. Compete, porém, aos portugueses determinar se Sócrates tem condições para continuar a governar mesmo com algumas palermices à mistura. O que se faz sentir através das sondagens (e, pelo visto, a sua popularidade continua em alta) ou das eleições (lá mais para diante). Não estava à espera de ver Sócrates a ser triturado pela sua própria máquina, caíndo no ridículo antes de ser conhecida qualquer decisão sobre o processo que está a correr na justiça. Mas é o que temos e se calhar mais e melhor não merecemos. "Fazer política" é isto. Não façam é de todos nós mentecaptos funcionais...
PS - Respondendo ao repto do Carlos Alberto (com quem estou em falta), só queria dizer isto: os jornalistas são pagos para cobrir a actualidade com originalidade e alguns levam a sério esse papel, ou seja, procuram ir ao fundo da questão usando as suas fontes e os seus recursos e enfrentando imensas dificuldades. Não sou da área mas conheço-a relativamente bem e posso garantir ao meu amigo que não conheço qualquer jornalista que tenha enriquecido enquanto faz este trabalho, no qual está sempre exposto à vingança dos poderosos e a diversas chatices motivadas por uma chuva de processos que aqueles costumam lançar porque, de facto, podem pagar aos seus advogados com o nosso dinheirinho ou com aquele que roubaram. Colocar o labéu sobre os jornalistas nesta questão é, sinceramente, embarcar facilmente na tese da cabala quando, afinal, o que está em causa é saber porque é que uns comem caviar e outros continuam a comer sardinha assada (também gosto). Acredita, esta temática é algo que me chateia sobretudo quando reparo que são pessoas esclarecidas, algumas delas com experiência jornalística, a embarcar nesta treta que é uma espécie de contra-minagem informativa.
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