terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

900 MIL RAZÕES PARA VIVER

No país que tem 900 mil funcionários públicos e que não se preocupa minimamente com isso, paeece normal um director de urbanismo construir uma casa que vale milhões e os filhos de um presidente da Cãmara há 30 anos no poder fazerem autênticos negócios da China na cidade que todos pensavamos ser dos arcebispos mas que pelo visto é dos construtores civis. Com o governo a sofrer de autismo, a oposição a tentar branquear a sua imagem enquanto não chega ao poder Rui Rio (para alívio da burguesia diletante portuense), o Bloco de Esquerda com tiques de estalinismo, o PCP tão moderno como uma sande de courato vendida na Quinta da Atalaia e o CDS de Portas metido no táxi do costume, o que nos resta? Manuel Alegre, Mário Soares, Ramalho Eanes, Lobo Antunes, Saramago,v Manoel Oliveira a receber um dragão de ouro, o Malato e a Catarina Furtado, a Quadratura do Círculo e o Eixo do Mal, o caso Freeport, o julgamento da Casa Pia, o futebol e o caralho das Caldas. Acham pouco? Há quem não tenha tanto. Vamos, pois, tornar santo D. Nuno Álvares Pereira, guerreiro medieval e grande senhor feudal, também modelo de Pinto da Costa. É pena o condestável já não vir a tempo de receber também um dragão de ouro. Ele a padeira da guerra disputada ali na antiga Ladeia. Pobres portugueses. Quase mil anos de história para quê? Bem, sempre temos os pastéis de Tentúgal, o pudim Abade de Priscos, os ovos moles de Aveiro, a sardinha de conserva da "Pinhais", o doce do caco madeirense, o d. Rodrigo algarvio, as migas, o bacalhau à brás e as ameijoas à Bolhão Pato. Ingratos. Podemos estar a carregar o enorme peso do vácuo da nossa história mas não iremos morrer desconsolados. Nós, os portugueses, entre os quais os 900 mil do quadro estatal. Bem vistas as coisas, podemos adiar a notícia da nossa morte. Ninguém ia reparar nela. Como tal, presumo também que se continuarmos a viver também ninguém irá dar por isso. E sempre temos mais uma oportunidade para beber um copo de vintage depois de um grande bacalhau com broa com grelos do quintal da tia Albertina.
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