domingo, 25 de janeiro de 2009

PORNOGRAFIA E POLÍTICA


O PS prepara-se para expulsar Narciso Miranda e Maria José Azevedo.


O primeiro foi meu presidente de câmara durante 26 anos.


A segunda minha professora na então Escola Superior de Jornalismo.


A Narciso já ninguém tira um lugar na história nem o direito de voltar a ser o dux de Matosinhos. Como aqui já tinha sido dito, de pouco serviu mandar a Matoses diversos enviados especiais, com Mário Soares à cabeça, pois o homem quer sangue.


Os partidos portugueses são o que são: círculos apertados, com ambiente seleccionado. Para onde se entra apenas por convite. Nunca vi um partido empenhado em angariar militantes. Fazem alarde disso mas na realidade é assunto que não interessa - quantos menos, melhor a distribuição de pelouros. Tenho quase 47 anos e só uma vez fui convidado para me filiar num partido. Por acaso na UDP. Filiei-me no café Onda e fui militante não activo durante alguns anos. Mas foi única vez. Não me considero um tipo desinteressante e julgo até ter alguma influência, como o prova o facto de ter ajudado no prefácio de um livro do próprio Narciso, motivando mesmo uma queixa deste para a Alta Autoridade para a Comunicação Social, acusando-me de uma campanha "sistemática e pertinaz" e de ataques "sem escrúpulos no plano social, pessoal e político". A queixa foi arquivada no dia 17 de Maio de 2004.


Desafio os partidos da nossa terra a enviarem-me uma proposta. Aceitarei a primeira que chegar.


Quanto à dr. Maria José Azevedo, pouco mais posso dizer para além do que ficou dito. Apenas que me deu aulas de semiótica com uma monotonia atroz, apenas compensado pelo facto de há 25 anos ser um pedaço de mulher. Pelo que vim a saber depois, as aulas eram decalcadas de um livro. De bolso. Da Europa-América.

O grau de democraticidade interna dos nossos partidos é extraordinário. Os tipos esgadanham-se pelo poder e agarram-se a ela como os mexilhões às rochas da nossa costa. Alguns fossilizam mesmo e transformam-se em eminências pardas que subitamente vemos ou no Parlamento Europeu ou na administração de uma empresa pública qualquer. Pais, filhos, sobrinhos, primos e até a empregada de limpeza.


Este é um mundo que me fascina. Por isso é que me candidato já a fazer parte desta gloriosa família de "merceeiros" no jogo da glória da política. Eu, o meu primo Becas, o meu tio António e a minha filha Francisca. Garanto que estarei sempre do lado dos vencedores e que me contento com um lugar de assessor do assessor do sub-chefe de gabinete de um obscuro deputado ou administrador da CP.


Quanto aos candidatos que irão ser expulsos, sejam bem vindos ao mundo real. Abram os pulmões e desfrutem. Quer-me parecer que pelo menos um deles não tarda nada e estará de volta ao circo. Também gostava de ver quem é que depois vai cair do trapézio ou se o contorcionismo passa a ser o número principal, obviamente depois dos palhaços.


Que somos nós, os que perdemos tempo no dia das eleições.


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