quinta-feira, 27 de novembro de 2008

NARCISO E O LEIXÕES (2)


Aqui há tempos, no mercado de Matosinhos, Carlos Oliveira falou num ilustre associado do Leixões com 25 anos de filiação que não paga as quotas. Toda a gente percebeu que se estava a referir a Narciso Miranda, o homem que esteve 26 anos na presidência da Câmara Municipal de Matosinhos e que teve de abdicar depois do incidente dos leitões, perdão, da lota. PdeL tentou perceber o que se passa e falou com o popular "Barroselas", com quem já não falava há muito tempo. E assim se ficou a saber que, de facto, José Narciso Rodrigues Miranda tem quotas em atraso. Por estas razões que o próprio explicou: enquanto foi presidente da câmara, as quotas eram cobradas pelo cobrador do clube, que se deslocava aos paços de concelho para realizar a respectiva cobrança. O então motorista do presidente, Moça, também por vezes fazia os respectivos pagamentos. Com toda a turbulência dos últimos dois anos e com Narciso fora da Cãmara, a ligação perdeu-se e as quotas ficaram por pagar, embora nunca ninguém tivesse, até ao caso do mercador, levantado o problema. É por estas e por outras que as receitas dos associados não são o que eram pois os clubes partem do princípio que é obrigação dos sócios deslocarem-se à sede para pagar as quotas, isto numa fase em que se faz quase tudo pela internet, até "o amor", ou sobretudo este. Narciso não gostou de ver a situação exposta literalmente na praça do peixe e da hortaliça por alguém que, diz, "para ser presidente do Leixões foi a correr fazer-se associado". O antigo presidente considera tudo isto "uma grande indignidade" e promete não estar calado, não tolerando que o Leixões sirva de "arma de arremesso político". É o que temíamos. O Leixões está mesmo transformado nisso mesmo. Para as duas partes. Para a equipa de Pinto e para a equipa de Miranda. O Leixões, os mecos de Serpa Pinto, a envolvente do Estádio do Mar e o mais que aí vem. Na certeza de que Narciso não se retirará da corrida, de pouco servindo o recurso do PS à cavalaria pesada e a oferta de posições bem remuneradas em empresas públicas ou afins. Pelo que fiquei a perceber de viva voz, o "Senhor de Matosinhos" está determinado. É assim a vida. Aqueles que se dizem agentes da democracia têm de perceber que todos direito a aspirar à liderança de uma câmara. O Zé da Esquina, eu e até o homem que durante muitos anos foi o símbolo e a imagem de Matosinhos com o apoio precisamente daqueles que hoje o combatem. A democracia também é bonita por ser assim, mas como temos poucos anos (34) de vivência em liberdade há muito gente que ainda não percebeu aquilo que proclama.

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