quinta-feira, 16 de outubro de 2008

E CONTUDO ELE MOVE-SE...

Não percebo a perplexidade e até a indignação que vai para aí a propósito do movimento cívico lançado por e para Narciso Miranda. Sempre tive a certeza que o Barroselas ia lançar-se mesmo, a solo, na corrida eleitoral, tentando resolver a seu favor o caso que começou a perder na lota de Matosinhos. Está no seu pleno direito. Aqueles que hoje se indignam foram os que votaram nele, que andaram com ele ao colo, que lhe deram palmadinhas nas costas e que dele se aproveitaram para construir uma carreira na função pública ou afins. Narciso Miranda tem, em Matosinhos, um capital que não caiu do céu aos trambolhões, foi construído ao longo de mais de 20 anos na presidência da Câmara, onde era senhor absoluto até ao dia em que decidiu experimentar os gabinetes do poder em Lisboa. Rapidamente verificou que uma coisa é ser o responsável pelas marinas e pelos portos e outra ser o suserano das terras de Bouças. Na altura disse que esta decisão lhe podia sair caro porque alguns matosinhenses jamais iriam perceber que tivesse trocado a governação da nossa terra por um posto tão insignificante. Mas a vida é feita de boas e más decisões e todos temos o direito de tentar corrigir o que não esteve tão bem. Narciso voltou, Narciso foi cuspido pelo aparelho do PS, Narciso tentou digerir mas rapidamente concluiu que não é homem para reformas antecipadas. Por isso está de novo no terreno. Um movimento cívico é algo que todos devemos respeitar sobretudo quando surge à margem dos partidos. Não será bem o caso deste mas pelo menos estamos perante um agitar de águas interessante. Se Valentim arrasou em Gondomar, se Isaltino e Felgueiras ganham com processos embaraçosos às costas...porque razão não pode Narciso aspirar a recuperar o ceptro e a coroa? Conquistou esse direito e tal deve ser respeitado. Eu, que por ele nunca morri de amores, mas que sempre admirei o lado exótico e singular da figura, respeito-o. Não vou ao beija-mão, não participo em comícios, não aspiro a tachos mas até Outubro de 2009 vou pensar se voto ou não nele. Gosto de ter esta liberdade que está isenta de IVA e de disciplinas partidárias.
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