domingo, 4 de abril de 2010

CORREIO AZUL

« uma colaboração de VMO

Carta de Egas Moniz a Afonao Henriques:
Meu querido Afonso,
Ou Afonsinho, como eu te chamava no tempo em que te educava junto às margens do rio Douro, quando foi do milagre. Eras tão pequenino e enfezadinho.
Afonsinho, em que estavas a pensar quando mais tarde te zangaste com o teu Tio e fundaste Portugal?
Olha só no que deu essa tua travessura:

· No exame final de 12º ano, és apanhado a copiar, chumbas o ano; o primeiro-ministro fez o exame de inglês técnico em casa, mandou por fax e é engenheiro.
· Uma adolescente de 16 anos pode fazer livremente um aborto, mas não pode pôr um'piercing' (um prego nas trombas, mas em inglês diz-se assim)
· Um jovem de 18 anos recebe 200 € do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma 236 € depois de toda uma vida do trabalho.
· Um marido oferece um anel à sua mulher e tem de declarar a doação ao fisco. O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e demora 3 anos a corrigir o erro.

· Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2.000 habitantes; o Governo diz que não precisa de mais polícias.
· Um professor é sovado por um aluno e o Governo diz que a culpa é das causas sociais.

· O café da esquina fechou porque não tinha WC para homens, mulheres e empregados. No Fórum Montijo, o WC da Pizza Hut fica a 100mts e não tem local para lavar as mãos.

· O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos).

· Nas prisões, são distribuídas gratuitamente seringas por causa do HIV, mas é proibido consumir droga nas prisões!

· Um jovem de 14 anos mata um adulto, não tem idade para ir a tribunal. Um jovem de 15 leva um chapada do pai, por ter roubado dinheiro para droga, é violência doméstica!

· A uma família a quem a casa ruiu e não tem dinheiro para comprar outra, o estado não tem dinheiro para fazer uma nova, tem de viver conforme pode. 6 presos que mataram e violaram idosos vivem numa cela de 4 e sem wc privado, não estão a viver condignamente e aí aassociação de direitos humanos faz queixa ao tribunal europeu.

· A militares que combateram em África a mando do governo da época na defesa do território nacional não lhes é reconhecido nenhuma causa nem direito de guerra, mas o primeiro-ministro elogia as tropas que estão em defesa das Pátrias DO KOSOVO, AFEGANISTÃO E IRAQUE, não da Pátria que fundaste.

· Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em Agosto do ano que vem; não pagas às finanças a tempo e horas, passado um dia, já estás a pagar juros.

· Fechas a janela da tua varanda e estás a fazer uma obra ilegal. Constrói-se um bairro de lata e ninguém vê.

· Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos o pões a trabalhar contigo num ofício respeitável, é exploração de trabalho infantil. Se és artista e o teu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais, a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe!
· Numa farmácia pagas 0.50€ por uma seringa que se usa para dar um medicamento a uma criança. Se fosses drogado, não pagavas nada!
· Afonsinho, de novo te pergunto e por favor responde-me: em que estavas a pensar quando fundaste Portugal? Carago, foi uma diarreia mental que tiveste, confessa lá que foi. Agora todos estão desiludidos. Já te falarei um dia na corrupção. O Gonçalo Mendes da Maia que tu tanto criticavas por querer tudo, era um ingénuo, não era nada ao lado desta gangada, nossos descendentes.
Se vires a senhora tua Mãe, dá-lhe recados.
Um beijo do teu servidor sempre fiel,

Egas Moniz

domingo, 28 de março de 2010

ORA VAMOS LÁ...

Algures em Santa Marta de Portuzelo

quarta-feira, 24 de março de 2010

GRAFITOS


Assim (algures entre a Cordoaria e a Calçada das Virtudes) também quero no meu muro.

sexta-feira, 19 de março de 2010

RIR É O MELHOR REMÉDIO

« uma cortesia de Jorge Reis

Um mendigo entra num bar e pede a um homem que lhe pague um café. Com pena,o
homem oferece-lhe uma cerveja. O mendigo diz:
- Não obrigado, não bebo, só quero o café.
Então, o homem lhe oferece a compra de um bilhete de Lotaria.
- Não obrigado, não jogo, só quero o café.
Com muita insistência, o homem oferece-lhe um cigarro.
- Não fumo, só quero o cafézinho. - recusa o mendigo.
O homem insiste novamente e diz que paga uma noitada com uma prostituta.
- Não obrigado, eu não traio a minha mulher, só quero um café.
Então o homem leva o mendigo para sua casa e diz à mulher para lhe preparar
o café. Curiosa, ela pergunta ao marido:
- Por que trouxeste para casa um mendigo sujo só para tomar um café?
- Para te mostrar como fica um homem que não bebe, não joga, não fuma e não
dá uma queca por fora de vez em quando.

segunda-feira, 15 de março de 2010

FESTAROLA

Grande festarola no sábado à noite com jantar incluído, animação do tal Barbosa, ali junto ao espelho de água da biblioteca. Dizem-me que foi uma homenagem a Guilherme Pinto mas que o presidente só lá passou para o beija-mão.

Porque é que nunca me convidam para estas coisas?

quarta-feira, 10 de março de 2010

terça-feira, 9 de março de 2010

SOL NA EIRA

Verifico, com prazer, que o passadiço está quase a unir a Boa Nova ao Cabo do Mundo. Uma osmose perfeita, rumo à requalificação total da orla costeira de Matosinhos, desprezada durante todos aqueles anos durante os quais o mais importante foi o betão armado por especuladores imobiliários e por construtores civis que muito jeito deram no financiamento de um partido que todos conhecem. Finalmente começamos a perceber que o serviço público não é apenas servir-se do público.

Deixem-nos, pois, gozar esta breve réstea de Sol.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A ANTA

A anta rosna.
Coça-se.
Fuma.
Bebe.
Engole em seco.
Tira os óculos.
Rói as garras.

E ataca.

Ataca.

Arrebata, abocanha, morde e estraçalha.

A anta rosna.

Agora de prazer.

Olha embevecida para o ecrã da TV, para as imagens do engenheiro de cuecas, correndo nas ruas de Moçambique.

A anta olha à sua volta.

Não vê ninguém.

O prazer solitário não é pecado.

A anta sorri.

CLUBE DE LEÇA

Encontrei hoje nas estantes da livraria "Leitura", no Bom Sucesso, este interessante livro de António Ramalho de Almeida sobre os 125 anos do selecto Clube de Leça, onde de vez em quando tenho o prazer de beber uns finos e fumar umas cigarradas com o meu bom amigo Francisco de Almeida Garrett. Só não o comprei porque custa 35 euros e já tinha pago um exemplar com um preço idêntico e prometi a mim mesmo que qualquer surtida a uma livraria não me levará a gastar mais que 50 euros, caso contrário é a minha desgraça...
Espero que a nossa Biblioteca Municipal se apresse a adquirir esta obra que contém imagens muitos importantes sobre Leça da Palmeira antiga.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

RUNENYOGA


Posturas Mágicas


O Corpo como Celebração do Poder Divinatório das Runas


A meditação através do uso de posturas psicodinâmicas corporais abre um novo horizonte no contacto com as entidades celestes que se “escondem” num simples símbolo rúnico e, assim, activam memórias subconscientes. O som, cor e o seu significado, quando sentidos e experimentados numa sequência de posturas rúnicas (a partir dos 24 sigilos mágicos do FUTHARK), transformam o corpo no melhor instrumento de captação de energias numimosas com as quais poderemos trabalhar num contexto divinhatório e, ao mesmo tempo, activar o processo de autodesenvolvimento. A proposta aqui apresentada visa criar um veículo de revelação dos Mistérios da Natureza a partir de dentro de cada indivíduo. Através das experiências individuais, nestes exercícios, vai-se elaborando e enriquecendo um sistema complexo de caracteres de uma linguagem mágica, que se vai incorporando no quotidiano invididual. As Runas vão revelando os seus segredos de acordo com as emoções e os sentidos de cada participante.

Recorrendo às Asanas do Ioga e à Euritmia de Rudolf Steiner, o alemão Frieddrich B. Marby, no início do século XX, criou um método de meditação corporal assente nos sigilos rúnicos: Runenyoga. Para cada runa, uma postura, acentuada com um mantra. O corpo toma a forma da runa, concentrando a mente no seu significado, chamando para o exterior o som mágico e traz à superfície a energia psíquica presente na sonoridade da fórmula sagrada ou da divindade, incorporando-a no corpo. Ao interagirmos dinamicamente com o corpo e com o conjunto de 24 Runas desvelamos, então, uma nova faceta de cada Runa, em função do impacto que cria na consciência individual. As experiências diferem de caso para caso, o que permitirá formar conceitos muito pessoais sobre o significado de cada um dos símbolos. Os exercícios fortalecerão o corpo e, sobretudo, estarão a reaproximar-nos intimamente às forças dos mundos celestes e subterrâneos que marcam o compasso dos ritmos do meio natural.
Os objectivos da prática de Runenyoga são os seguintes:

Controle do corpo através da postura, exercitando impulsos de movimentos.
Controle dos pensamentos através do som, ou seja galdr (mantra)
Controle da respiração
Controle das emoções com o propósito de abrir janelas à visualização.
Despertar os sentidos internos às mensagens das runas que ressoam do nosso Ser e dos Mundos da Árvore do Conhecimento.
Controle da vontade no sentido de a direccionar a um determinado objectivo.

Divido em três sessões por mês, durante seis meses, o workshop arrancará em Abril, estendendo-se até Junho. A segunda fase começará em Setembro.

PRIMEIRA FASE
Abril: 6 (Terça-feira), 14 (Quarta-feira) e 23 (Sexta-feira)
Maio: 30 de Abril (Sexta-feira), 18 (Terça-feira) e 25 (Terça-feira)
Junho: 2 (Quarta-feira), 11 (Sexta-feira) e 18 (Sexta-feira)
Todas as sessões serão em horário pós-laboral das 19 horas às 20,30 horas
LOCAL
Estúdio Ganesh, Praça dos Lóios, 37- 2º andar, Porto.
Contribuição mensal: 25 euros.
Desconto para membros do Projecto Karnayna.
Inscrições/Informações
valquiria@projectokarnayna.com
Telemóvel: 91 722 78 85
Cada participante deverá trazer:
- roupa confortável e calçado ou peúgas indicados para meditação
- Lápis de cor, canetas ou aguarelas.
- um baralho de Runas, caso o tenham
Este trabalho constituiu uma etapa complementar à temática desenvolvida no livro “As Moradas Secretas de Odin”, de Valquíria Valhalladur.

AQUI FICA DIVULGADA ESTA INTERESSANTE INICIATIVA DA MINHA COLEGA DE "O JOGO" CRISTINA AGUIAR

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

ELE SABE-A TODA


Mais uma vez o imparável mostrou a sua raça. Apostou no "cavalo" certo, isto é, em Filipe Pinto. Quem está no poder desprezou o pedido de ajuda. Narciso viu ali logo uma oportunidade. E agarrou-a. Marcou pontos. Mostrando que não está morto politicamente. Menosprezá-lo será porventura o mais erro de quem parece ter adormecido depois da vitória de Outubro. Aqui e na marginal do Cabo do Mundo.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

BLOGUES E POLÍTICA

Com a moderação de Carlos Mouta, falou-se sexta à noite, no Café da Biblioteca, um espaço (bem) renovado, de política e de blogues. A Juventude Socialista convidou alguns bloggers locais, entre os quais o accionista maioritário e único do PdL, para além de Vítor Maganinho, José Modesto, Otília Gradim, Carlos Alberto e Américo Freitas. Esteve presente também uma doutoranda mas que me desculpe pois o nome varreu-se-me. O debate durou um pouco mais de duas horas e nele entrou, de forma veemente, a engenheira Olga Maia, no seu estilo bem característico, para se queixar de alguns bloggers e dos comentários que estes não filtram e que terão atingido a sua pessoa (aparentemente sem lhe causarem mossa). Pode dizer-se que foi uma noite de revelações embora sem grande participação do público. A conversa prolongou-se depois para uma mesa onde já se podia fumar e onde a água não era o elemento líquido dominante e terminou quase às 3 da manhã junto ao espelho de água da biblioteca com o desenvolvimento do palpitante tema "Como seria bom se fossemos todos polígamos". Aviso desde já que se atiraram foguetes mas ninguém se baixou, prudentemente, para apanhar as canas pois o Modesto estava a ameaçar ligar a "Máquina de Furar". Gostei de estar com todos, gostei do espaço, gostei da simpatia dos jovens socialistas, gostei do "Tango" e só não gostei de ver mais gente na plateia porque é nestes momentos, raros, que acontece aquilo a que se chama exercício de cidadania. Obrigado pelo convite e pela consequente catarse.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A VIDA QUE TEMOS

Este país é mesmo surpreendente.

O primeiro-ministro fez questão de abrir os telejornais, ontem, para sublinhar o que considera 3 verdades.
Acabou a falar de falsidades.
Da cabala (ou do robalo) montada em Aveiro.
Das radiações solares.
Das deambulações que deviam ficar "cofinadas" ao seu círculo de poder, povoado por "boys" que fizeram o tirocínio na juventude partidária lá do sítio que tiveram percursos meteóricos em diversas administrações públicas e semi-públicas.
Depois, temos o Mário Crespo a vender t-shirts na AR.
José Manuel Fernandes a explicar o que Belmiro já tinha explicado numa recente entrevista, isto é, que é bom rapaz, faz muitos twites mas tem pouco jeito para vender jornais.
Para ajudar à festa, Rangel propõe que se comecem a preparar as crianças para uma profissão aos 12 anos. Presumo que está a falar de políticos e não de sapateiros.
O que sobra é a espuma dos dias.
É a inteligência do Ruben Micael naquele livre que deu o 2-1 ao FC Porto.
É o FC Porto-Sp-Braga que aí vem.
O Medina Carreira.
O cone de amêndoa do McDonald's.
O Ferreira Fernandes a fingir que não se passa nada.
O senhor da AMI a declarar já a situação de calamidade pública ao candidatar-se à presidência não se sabe bem de que República.
O Narciso nos "Ídolos" a querer aparecer na fotografia.
O Guilherme Pinto desaparecido em combate sem conseguir rematar a marginal do Cabo do Mundo.
Guilherme Aguiar entretido com a conversa da treta.
E o Inverno que nunca mais acaba.

Bem, o caso é sério. Vou pedir o rendimento mínimo, o telefone da Tele Pizza e enfiar-me debaixo dos cobertores até sentir algum calorzinho.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

MOÇÕES E LOÇÕES

Nas assembleias municipais e de freguesia a que já assisti pude deliciar-me com a apresentação das mais disparatadas moções. Desde moções pró-Timor a moções pró-liberdade dos piriquitos...tudo serve para que obscuros deputados municipais brinquem aos verdadeiros tribunos, fazendo perder tempo e dinheiro aos contribuintes e munícipes. O que nunca tinha visto era uma moção apresentada pelo público, no caso pelo meu amigo José Modesto, em prol da pontualidade dos senhores deputados. O excesso de gel anda claramente a perturbar o pensamento do homem das saudações marítimas.

As melhoras.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A SAÍDA DE MOTA*

Concordo inteiramente consigo caro...anónimo.
A cobardia é mesmo uma coisa muito feia.

Quanto à demissão do José Mota, não me surpreendeu. Há algum tempo que se percebia que o treinador do Leixões andava a patinar. Não que tenha muita culpa mas a verdade é que também deixou as coisas andarem.

A saída de Vítor Oliveira, já quando a época tinha começado, deixou mossa. Oliveira, o treinador, nunca explicou as razões da sua saída e se o tivesse feito provavelmente hoje perceberiamos todos melhor que se está a passar esta época no Leixões.

E o que se está a passar é o seguinte.

O investimento na equipa foi feito à pressa. E com muito pouco dinheiro. Obrigado a vender Beto e Bruno China, simplesmente os esteios da equipa, o Leixões não foi capaz de garantir a continuidade do central Élvis e do ponta-de-lança Roberto. Com esses quatro jogadores a história hoje seria outra.

José Mota fez o que pôde mas a manta tinha muitos buracos e era curta. Permitiu que a equipa entrasse numa onda de indisciplina e isso também prejudicou o clube.

Mota fez história no Leixões, onde fez uma época SENSACIONAL. Os leixonenses têm de estar gratos por isso. Eu não esqueço.

Mas chegou a hora de mudar. Chegou a hora também de Mário Jorge Branco mostrar o que sabe de futebol. Julgo que sabe muito. Está nas suas mãos e na de Castro Santos a salvação.

O Leixões não pode cair na II Divisão. Pode ser o fim. Por isso, os leixonenses devem unir-se nesta hora difícil. Quando a época estiver terminado e a permanência assegurada, então sim: desatem as línguas.

* Depois de uma jornada dominada pela bicicletas

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A "FACE OCULTA" DO SISTEMA JUDICIÁRIO


Perguntou-me um operador judiciário do meu círculo de amizades, homem probo e de muita dignidade, qual a minha opinião sobre a decisão do Procurador-Geral da República de não abrir inquérito contra o Primeiro-ministro português face a um conjunto de alegados indícios que lhe foram comunicados por outras autoridades judiciárias.
Num país onde tudo o que se possa imaginar pode acontecer, confesso que não entendo a importância que se tem dado ao assunto. Aliás, dada a rectidão moral e social do meu interlocutor, aconselhei-o a libertar-se imediatamente das cacofonias em que se encontra enastrada a sociedade actual. A bem da sua saúde mental.
Não me inibi de opinar, é certo, mas por mera cortesia, e em abstracto, sem perder o meu tempo a ouvir narrações eufóricas sobre politicantes ou a pesquisar nos jornais diários que concretos indícios ou pseudo-indícios foram disponibilizados ao Procurador-Geral da República.
Do ponto de vista factual, sei apenas que reina um ambiente de absoluto histerismo e que o problema do Primeiro-ministro se colocou por força de uma investigação capitaneada por dois vultos que muito honram os quadros da Polícia Judiciária e do Ministério Público, pelo que, deste ponto de vista, não é crível que o procurador Marques Vidal se haja enleado num engano tão espantoso. Mas enfim...



Em linhas gerais, reza a lei que «a notícia de um crime dá sempre lugar à abertura de um inquérito» e que um crime é o «conjunto de pressupostos de que depende a aplicação ao agente de uma pena ou de uma medida de segurança criminais».
Neste conspecto, toda a «notícia», ainda que decorrente de queixa ou participação, deve ser objecto de uma apreciação preliminar tendente a avaliar da sua admissibilidade. A própria lei adverte que a «notícia» pode ser «manifestamente infundada».
A aferição da admissibilidade de uma «notícia» deve estar alçapremada no conceito de justa causa, dependendo a abertura do inquérito de um juízo de legalidade que importa um exame perfunctório sobre o enquadramento jurídico-penal dos factos e sobre a hipotética prescrição que sobre eles recaia.


Por outras palavras, a instauração de um inquérito não pode estar desacompanhada de um mínimo de elementos de facto que - ancilosados na «notícia» - façam supor a existência de um «crime» em termos de juízos de probabilidade e verosimilhança.
De acordo com a teoria geral da infracção, os «pressupostos de que depende a aplicação ao agente de uma pena ou de uma medida de segurança criminais» são, sinteticamente, a acção ou omissão humana, típica, ilícita, culposa e punível.
Parece simples, mas não é. Toda a mecânica criminal versa sobre essa acção ou omissão humana, típica, ilícita, culposa e punível. Afinal, o «crime», o objecto do processo penal.
Sendo axiomático que a instauração de um inquérito pressupõe um juízo de legalidade sobre elementos de facto que faça supor a existência de um «crime» em termos de juízos de probabilidade e verosimilhança, constitui igualmente dado apodíctico que, numa fase prévia à abertura de um processo, não são exigíveis indícios que versem sobre todos os referidos pressupostos.
Numa linguagem directa e acessível, porque muitas páginas teriam de ser consumidas com este problema, a lei exige, para a abertura de um inquérito, que a «notícia» diga respeito a uma acção humana prevista na lei como desvalor e punível.
Como bem se compreende, não haveria traço de legalidade na instauração de um inquérito para apurar facto cometido por uma formiga (não humano), não previsto na lei (não típico), para assegurar um valor (não ilícito) ou prescrito (não punível).


Por outra banda, atendendo à qualidade de certos visados pelas «notícias de crime» - especialmente políticos e magistrados -, afigura-se-nos da maior conveniência, à luz do ordenamento jurídico no seu conjunto, que a abertura de inquérito deve igualmente ser antecedida da realização de diligências sumárias tendentes a apurar um mínimo de lastro indiciário, de modo a não se violentar injustificadamente a imagem social de pessoas que são o verdadeiro sustentáculo do Estado.
Dir-se-á que, desse modo, a lei não dispensa tratamento igual a todos os cidadãos. Pois não. Seria o caos se o fizesse.
Estes são, na minha óptica, os pressupostos de um raciocínio que se pretende lógico e correcto sobre a decisão do Procurador-Geral da República.
Se dissermos que Confúcio nasceu índio e que todos os índios são biólogos, concluímos que Confúcio é biólogo. Eis um raciocínio lógico mas incorrecto.


Encurtando razões:
Se os elementos de facto que foram transmitidos ao Procurador-Geral da República faziam supor a existência de um «crime» em termos de juízos de probabilidade e verosimilhança, então, deveria ter aberto inquérito.
Se os elementos de facto que foram transmitidos ao Procurador-Geral da República faziam supor a existência de um «crime» em termos de juízos de probabilidade e verosimilhança, e se ele realizou diligências prévias que não puseram em xeque o lastro indiciário já existente, então, deveria ter aberto inquérito.
Se os elementos de facto que foram transmitidos ao Procurador-Geral da República faziam supor a existência de um «crime» em termos de juízos de probabilidade e verosimilhança, e se ele realizou diligências que puseram em xeque o lastro indiciário até então existente, então, não deveria ter aberto inquérito.
Se os elementos de facto que foram transmitidos ao Procurador-Geral da República suscitaram dúvidas em relação à existência de um «crime» em termos de juízos de probabilidade e verosimilhança, então, deveria ter aberto inquérito.
Se os elementos de facto que foram transmitidos ao Procurador-Geral da República suscitaram dúvidas em relação à existência de um «crime» em termos de juízos de probabilidade e verosimilhança, e se ele realizou as diligências prévias adequadas, tendo estas assegurado o mínimo de lastro indiciário, então, deveria ter aberto inquérito.
Se os elementos de facto que foram transmitidos ao Procurador-Geral da República suscitaram dúvidas em relação à existência de um «crime» em termos de juízos de probabilidade e verosimilhança, e se ele realizou as diligências prévias adequadas, não logrando estas assegurar o mínimo de lastro indiciário, então, não deveria ter aberto inquérito.

Terá o Procurador-Geral da República actuado ao arrepio da lei e denegado justiça para salvar a pele do Primeiro-ministro? Eis a questão que se tem colocado.
O que se passou na realidade é algo que não pode saber-se sem uma leitura atenta das peças processuais e dos concretos elementos indiciários que foram disponibilizados ao Procurador-Geral da República.
Entretanto, no país inteiro, o Ministério Público continua a abrir inquéritos relativamente a factos que desde logo se revelam destituídos de tipicidade, nem que seja para os arquivar de imediato, somando os respectivos magistrados, por cada processo-relâmpago, mais uma “baixa” na sua folha de produção. A "face oculta" do sistema judiciário encontra-se pelo menos aqui.


FRANCISCO DE ALMEIDA GARRETT

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

ANOS 60


Obras de arte dos anos 60/70 da arquitectura que se fez em Matosinhos. Antes do grande deboche.


AVISO À NAVEGAÇÃO

Aconselho aqueles que atiram para a caixa de comentários informações (?) sobre negócios imobiliários e possíveis crimes ligados à administração local para o fazerem no sítio correcto: o piquete da Polícia Judiciária.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O DUX EM ANGOLA?

Narciso Miranda fez saber que foi mais uma vez a Angola. Mas as minhas fontes naquele país não o viram por lá. Nem nem ilha, nem no Mussulo e muito menos nos estádios do CAN 2010. Será que foi a Angola USA?

domingo, 31 de janeiro de 2010

CONTRASTES (ou talvez não)


Na mesma rua da cidade (França Júnior) duas peças de autor. Afinal, já temos o nosso museu de arquitectura. Basta passear um pouco pelas ruas de Matosinhos.

JÁ SABÍAMOS


O que não sabíamos era que não sabiam pôr acentos.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O CEGO E AS LOIRAS

Um cego entra num bar de lésbicas, senta-se ao balcão e pede uma bebida.

A bebida chega e depois de algum tempo o cego grita:

-Vou contar uma piada de loiras!

A mulher ao seu lado diz:

- Já que és cego, vou-te avisar de 5 coisas antes de resolveres contar a piada:

1.ª - O barman é uma mulher loira. -

2.ª - O gerente é uma mulher loira. -

3.ª - Eu sou uma loira de 1, 75m e 90kg. -

4.ª - A mulher ao meu lado é uma loira profissional em Karate. -

5.ª - Do teu outro lado tens uma loira professora de Kung Fu

Ainda queres contar a piada ?

O cego responde:

- Não... Deixa lá... Se vou ter de explicar 5 vezes, desisto...

* um contributo de Jorge Reis

sábado, 23 de janeiro de 2010

MOMENTOS DE ANTOLOGIA

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O QUE RESTA DO PASSADO

Um oásis no meio de uma cidade equivocada entre o moderno e o antigo. Largo de Cartelas Vieira, junto à casa onde viveu Rocha Peixoto. Aqui respira-se o romantismo de Matosinhos do início do século XX. No que resta do núcleo histórico de Matosinhos e de Bouças. Felizmente fora dos circuitos habituais, um lugar onde hoje estive largos minutos a pensar e a fumar. A fumar e a pensar. Parando no tempo enquanto o Mundo continuava a girar.

domingo, 17 de janeiro de 2010

JOSÉ MOTA NO FUTEBOL DE MESA


Antes de viajar até Belém, onde conseguiu 3 preciosos pontos, José Mota foi o convidado do programa "Futebol de Mesa", na NFM, cujo painel tenho o prazer de integrar, tanto mais que o "jogo" se disputa, todas as quintas-feiras, a partir das 21 horas, no restaurante "O Baixinho", em Paredes...

Podem ouvir o primeiro programa aqui:

http://radio.nfm.pt/