Sabia que é comentador.E comentador.
Mas doutor, isso não. Qual será a licenciatura?
Aceitam-se sugestões.
Confesso que já estou um bocado cansado desta associação do livro de Ecco e do filme nele baseado a situações relacionadas com o Partido Socialista. Há quem chame a isto imaginação. Prefiro chamar-lhe falta de transpiração. O óbvio é fácil, o difícil é transformar o óbvio em mais uma dificuldade para os nossos adversários. Gostei mais do cartaz do combate. Este, meus meninos, é muito dejá vú. E, caramba, não podiam ter aproveitado uma foto do Narciso a roer as unhas?...
São de Matosinhos dois dos cinco cronistas de referência deste país: João Pereira Coutinho e Alberto Gonçalves, ambos filhos "de boas famílias" cá da terra. Porém sem ficha partidária. O Alberto e o João não por acaso formam uma espécie de irmandade e começaram a evoluir como cronistas na imprensa matosinhense, o que é mais um motivo de orgulho para as gentes desta terra onde muito pouco de relevante acontece em termos culturais. A par de Ferreira Fernandes, Vasco Pulido Valente e Miguel Sousa Tavares, o Alberto e o João continuam a ser disputados pelos grandes órgãos de comunicação social. O JPC mudou-se agora do "Expresso" para a última página do "Correio da Manhã" - de sexta a domingo - e para a TVI 24 (estreia hoje à noite o seu programa) enquanto o Alberto há um ano se transferiu do "Correio da Manhã" para o "Diário de Notícias", onde é o único cronista que tem uma página (ao domingo), escrevendo também a última página da revista "Sábado", com a qual colabora desde o primeiro número. Tanto um como outro se estão a borrifar para qualquer tipo de reconhecimento da parte da terra onde nasceram e cresceram, o que se lamenta é que quem de direito continue a ignorar esta mais valia, mantendo-o à margem da "programação cultural" do concelho.
Na Quinta de Santiago, em Custóias, um encontro imediato de 3.º grau graças à lampreia. Como todos sabem, o clisóstomo é um parasita de águas doces e salgadas especializado na técnica da ventosa, que lhe possibilita sugar o sangue das outras criaturas aquácticas. À bordalesa ou com arroz, é um petisco de comer e chorar por mais. Pois bem, foi em homenagem a este manjar que se reuniu a Confraria do Mar, à qual pertencem Guilherme Pinto e Narciso Miranda. Não sei quantos comensais se juntaram, o que sei é que apenas dois lugares separaram os agora adversários e antigos confrades da vida pública. Parece que ninguém cuspiu para o prato desonrando o cozinheiro mas ao que disseram foram feitas várias tentativas para juntar os "bichos". Debalde. Ficou apenas da grande tensão que existe entre o Barroselas e o homem da Rua Comendador Ferreira de Matos.
O passeio era estreito, o eléctrico muitas vezes empancava nos carros estacionado em espinha, mas a Brito Capelo era uma festa e um sucesso comercial. Passa por ali agora uma coisa a que chamam Metro mas a sala de visitas de Matosinhos continua a esmorecer. Até um dos meus barbeiros tem a loja à venda. Provavelmente, na próxima vez que passar pelo 232 vou encontrar ali uma loja de chineses. Antes que fosse tarde, passei lá ontem para fazer barba e cabelo. Acreditem: é algo de afrodisíaco sobretudo na parte do pó de talco.





Há 20 anos que ouço falar numa nova marina de Leixões e num terminal para barcos de cruzeiro. Parece que é desta. O projecto foi apresentado esta semana e custará 51 milhões de euros, incluindo um pólo de investigação e inovação. O projecto consta de um cais com 340 metros de comprimeitos que permitirá a acostagem de navios até 300 metros. A marina tem uma capacidade prevista para 170 embarcações. Todos sabemos como é fácil desenhar projectos no computador e encomendar uns canapés para a sua apresentação. Aponta-se para 2011 para a conclusão deste projecto que também inclui uma residência universitário e um curioso pólo de incubação de empresas (as duas coisas são complementares, presumo). Vamos esperar. Sentados, obviamente.
Raros são os momentos em que nos reconciliamos com o serviço público. Este foi um deles. Quando a nossa Câmara decidiu honrar Mário Maia recebendo o seu corpo numa despedida sentida do povo de Matosinhos ao seu primeiro presidente de câmara eleito. O sr. Mário Maia foi, por isso, o meu presidente democrático e também o meu primeiro patrão num Verão já antiga. Tinha 15 ou 16 anos e passei as férias a trabalhar na "Gónia". A vender anzóis, carretos, canas de pesca, botas de borracha e a preparar encerados para automóveis. O que parecia um castigo aplicado pelo meu pai Queirós acabou por ser um prémio pois aprendi o valor do trabalho e conheci gente muito boa. Foi uma experiência inesquecível. No final ganhei mil escudos, que pedi para me serem dados em "Santos Antónios" (notas de 20 escudos) - o meu primeiro salário a sério. Habituei-me a ver no "bom gigante" Mário Maia não apenas um excelente patrão mas também uma pessoa amigável, sábia e convicta. Raros são os homens que servem o povo sem dele se servir. Tenho a certeza que foi isso que aconteceu com ele. Encontrei-o pela última vez há dois meses, já a doença o minava, quando falava com Vítor Oliveira na rua de França Júnior, junto à casa onde nasceu o agora manager do Leixões. O sr. Mário Maia vinha a descer a rua no seu passo longo e por ali ficámos alguns minutos à conversa. O adeus de Matosinhos ao seu grande presidente dignificou a cidade. O Mário Jorge e o Rui, o seus filhos, e a sua mulher, d. Eugénia, perceberam que a cidade e o concelho jamais esquecerão um matosinhense por adopção mas com todo o seu coração aqui. Na nossa terra e na nossa memória. Adeus presidente, a história já mostrou que não se esqueceu de si.


